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Artesãs de Macaé encontram na arte inspiração para criar produtos e obter renda alternativa

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Artistas integram a Associação dos Artesãos de Macaé e criam também lindas peças por meio de produtos reciclados, como madeiras e restos de jeans e macacão

Daniela Bairros

Um simples resto de jeans, que por muitos pode ser desperdiçado ou jogado fora, nas mãos de verdadeiras artistas, se transformam em lindas peças, sejam de roupas, decorativas, ornamentação em camisetas com restos de macacão. Sim, restos de macacão. Estas peças e muitas outras são confeccionadas por artesãs de Macaé. Verdadeiras artistas, que encontram no artesanato também uma alternativa para geração de renda, já que também enfrentam a grave crise econômica. Madeiras também são recicladas por elas.

As artistas integram a Associação dos Artesãos de Macaé, integrada atualmente por 40 artesãs. São inúmeros os produtos criados e expostos em eventos da cidade e de toda a região.

Na loja fixa localizada nas dependências do Teatro Municipal de Macaé, algumas das peças estão expostas à população. E tem para todos os gostos, idade e até mesmo aos amantes do futebol, como revestimentos de times para cadeiras.

Dentre dos eventos em que as artesãs participaram, o destaque está o aniversário da cidade, no dia 29 de julho. Dentre os produtos confeccionados pelas artistas, está o tricô, crochê, bordados, patchwork, reciclagem de madeira, vidros, e por ai vai.

Artesã profissional, Maria da Paz Oliveira Rodrigues Novaes, Presidente da Associação dos Artesãos de Macaé, aos 53 anos de idade, relevou que desde criança, mais precisamente aos oito anos, começou a fazer artesanato. Para ela, mais do que uma arte, o artesanato é uma paixão, aliada a profissão. “O artesanato me completa. Tem que querer, tem que gostar, mas é gratificante ver que algo em que muitos pensam ser insignificante, se transforme numa verdadeira obra de arte”, enfatizou.

Dona de um talento incomparável e criativo, a artesã Maria da Paz se preocupa, assim como as outras artistas, com a preservação do Meio Ambiente, já que cria peças, reciclando tecidos. São restos de jeans, sobras de macacão. Daí surgem colchas, almofadas, bolsas, cortinas, espelhos decorativos, cadeiras, poltronas e as conhecidas lembrancinhas de Macaé, como chaveiros, camisas masculinas e femininas, porta-moedas, entre outras.

Todas as peças confeccionadas pelas artesãs de Macaé são muito bem vendidas, o que tem gerado renda para muitas delas, que vivem atualmente do artesanato. As encomendas também ajudam a aquecer o mercado do artesanato de Macaé.

De nacionalidade chinela,  mas há 42 anos em Macaé, Teresa Brabo é outra artesã apaixonada pela arte. Também mostrando sua criatividade na hora de criar, há mais de 20 anos atua com artesanato e, sua preferência atual, conforme ela conta, também é reciclar. Ao invés de jogar fora ou desperdiçar, Teresa cria lindas peças oriundas da madeira e até restos de material de construção, como fontes de água natural que enfeitam salas e dormitórios, no vestuário, ela também recicla tecidos de jeans, que se transformam em lindos vestidos, conchas e outros objetos usados para decoração.

Teresa afirma que 70% da renda que obtém hoje é do artesanato. “Consigo me sustentar. Mas não vejo o artesanato como meio para eu ganhar dinheiro, claro que ajuda. Mas classifico a arte como vocação. Tem que gostar, se não tiver paixão pelo que faz, não dá certo. Eu amo o que eu faço e amo mais ainda tudo o que eu confecciono, assim como minhas colegas, se transformar em algo que aos olhos do público é lindo e encantador”

Utilidades domésticas  e toucas cirúrgicas, vindas do artesanato. É o que faz Josiane Bueno, de 35 anos, há quatro anos artesã. Integrada também à associação, a artista explicou que encontrou no artesanato uma forma de obter renda alternativa. “Meu marido trabalha, mas sozinho não dava para pagar as contas. Além de gostar muito do artesanato, eu consigo ajuda-lo, com reforço na renda. Para mim, o artesanato é calmaria e nele encontro muita fonte de inspiração para produzir”.

Salete Taranto há 17 anos é artesã. Aposentada e viúva, a artista encontrou na arte uma forma de superar as tristezas. E conseguiu. Com muita dedicação e alegria, a artesã produz peças em MDF, feltro, flores, faz também tiaras, arquinhos e muitas outras coisas. “Considero o artesanato como um vício, claro que faz bem à saúde. Foi minha superação, com certeza. E é todos os dias. Não quero parar”.

Sobre a Associação dos Artesãos de Macaé

A Associação dos Artesãos de Macaé é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil). Está integrada à Federação Estadual dos Artesãos. Maria da Paz é representante da federação em 10 cidades do Estado, incluindo Italva, no Noroeste Fluminense, e Rio das Ostras, além  de ser Coordenadora Regional de Macaé. A Associação dos Artesãos está ligada também a projetos nacionais e internacionais, por meio da Confederação Nacional dos Artesãos.

No dia 29 de março deste ano, as artesãs participaram do 1° Seminário dos Artesãos. Em maio, na capital, estiveram no Seminário Estadual. De 27 a 30 de agosto, será realizada a Conferência Nacional em Brasília. E Macaé estará participando pela Associação dos Artesãos e pela Presidente da Federação Estadual dos Artesãos, Neurisete da Silva. “Nesse encontro nacional, será discutida a Lei 13.180/2014, que regulamenta o artesanato como profissional. A lei já foi sancionada, mas precisa de alguns ajustes. E vamos acompanhar a questão em Brasília”.

Macaé tem hoje cerca de mil artesãos. Segundo Maria da Paz, o prefeito de Macaé. Dr. Aluízio, tem apoiado e muito os artesãos, que na cidade, chegam a 1 mil. “Tanto o prefeito como a Secretária de Cultura, Tânia Jardim, estão sendo nos dando apoio e nos abrem espaço sempre que precisamos”.

Crédito: Igor Faria

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