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A luta do Teatro Independente em Rio das Ostras

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Uma iniciativa importante está fazendo parte do cenário cultural do município de Rio das Ostras. O Festeiro, Festival de Teatro Independente da cidade, vai mostrar a partir de hoje(06), a força do teatro independente e o que este trabalho representa para o desenvolvimento das pessoas.

A mostra não é competitiva e a intenção é celebrar o trabalho incrível que é realizado em Rio das Ostras, onde 10 grupos de teatro com espetáculos adultos e infantis, irão proporcionar ao público, oito dias intensos de apresentações no Teatro Popular da cidade. Até o dia 15, inúmeras peças estarão à disposição dos apaixonados por esta arte tão expressiva.

O projeto nasceu de um sonho da Diretora e Professora Polyana Lott e a partir disso, os atores, Rennan Magalhães, Adilson Lopes e a atriz e produtora, Marcia Aicram, foram à luta e concretizaram essa grande vontade. Vários grupos foram contatados e assim tudo começou a deslanchar. “O Festeiro foi concebido com o entendimento que o evento deveria reunir todos os grupos de Teatro do município. Grupos de carreira, com notoriedade em Rio das Ostras. Foi feito o contato com as companhias da cidade que compraram a ideia. Após definir a programação, para nossa surpresa, agradável, diga-se de passagem, grupos estudantis se interessaram em participar. Infelizmente não tínhamos mais espaço no programa. Mas, isso já nos aponta novas perspectivas para a segunda edição. Sem a adesão dos grupos e o apoio da iniciativa privada o Festeiro não sairia do papel.” Conta o também colaborador, diretor e dramaturgo, Reynaldo Lisboa.

São inúmero objetivos, que o festival pretende alcançar. Divulgar mais profundamente o grande trabalho realizado pelos grupos da cidade, movimentar o mercado cultural e fomentar a prática do apoio cultural junto a empresários e instituições, são algumas metas, além de dinamizar o processo de formação de plateia, fundamental para que o segmento continue a evoluir. “Formar uma plateia de qualidade, hoje, é um grande desafio. Estamos remando contra a maré, em um momento em que as salas de espetáculos se enchem de produções com apelos midiáticos, mas que pouco colabora para a formação de um público crítico. O Festival, nesse contexto, pretende retomar o processo de formação de plateia, que deve ser continuado, oferecendo espetáculos forjados no processo de "teatro de grupo" que é sempre mais engajado e comprometido com o fazer teatral.”Comenta Reynaldo.

Rio das Ostras tem vocação natural para o desenvolvimento cultural. Não só de belezas naturais, vive a cidade, que deseja expandir ainda mais, esse grande potencial, que quer apresentar ao turista, ofertas cativantes de entretenimento de qualidade.

Mas como todos nós sabemos, o cenário não está fácil apenas para economia, ou para segmentos que influenciam diretamente a vida das pessoas. O mercado cultural também está mexido e os profissionais da área, procuram saídas criativas para reformular e dar novo fôlego para a cultura na cidade. “2016 está sendo um ano importante para a cultura do município. O Fórum de Cultura de Rio das Ostras conduziu, em parceria com o poder público, o processo de aprovação do SMC - Sistema Municipal de Cultura. As perspectivas são favoráveis. Lógico que há todo um contexto político e de crise, que não é um problema pontual de Rio das Ostras, que nos traz incertezas. Mas quem trabalha com cultura em nosso país, tem que estar disposto a continuar fazendo, independentemente do quadro político ou econômico. Parar não é opção. Acredito que a formação de grupos é o caminho para aquecer esse mercado. E nisso, o Centro de Formação Artísticas tem um papel fundamental.”Revela.

Quem vive de arte em Rio das Ostras, sente na pele a fragilidade da geração de receita e através de iniciativas como essa, é possível enxergar um horizonte mais positivo. O turismo cultural, trabalhado de forma correta, cria bases sólidas e o retorno se torna viável. O festival de Jazz & Blues, por exemplo, e outros festivais que acontecem na cidade como o festival Nacional de Teatro e Dança, traz qualidade turística e atrai outros tipos de público, que apreciam a literatura, a boa gastronomia e a boa música.

O Festeiro também quer alcançar um público externo e vai conseguir preencher as expectativas, que já são enormes. O grupo quer mudar o panorama atual, apresentando novas perspectivas não só para quem gosta de consumir cultura, mas também para os profissionais da área, que com muita sensibilidade, conseguem transformar realidades, a partir da força de vontade e do grande conhecimento no setor.

O Centro de Formação Artística de Música, Dança e Teatro

Um lugar onde é possível transformar sonhos em realidade, existe em Rio das Ostras, e só está sendo possível dar continuidade ao grande trabalho desenvolvido, pois muitas pessoas lutam diariamente para que o desenvolvimento seja pleno. “ É um privilégio ter essa escola, independentemente da gestão pública. É um projeto que deve ser agarrado pela sociedade com unhas e dentes. Pra se ter a ideia da importância da ONDA, como é conhecido o CFA aqui na cidade, diria que, não com precisão mas para se ter uma idéia, cerca de 90% dos artistas atuantes na área teatral, em algum momento, passaram pelo Centro de Formação, como alunos ou como professores. A turma do primeiro ano técnico em artes dramática apresentará, no Festeiro, um trabalho construído no ambiente acadêmico. É pra isso que a escola existe. A atual grade curricular foi ajustada para oferecer um curso técnico de dois anos, sem perder a qualidade.” Finaliza.

A importância da ONDA não é só para o teatro. Cursos técnicos de música e dança, também fazem parte da vida de crianças a partir dos oito anos. Continuar a caminhada deste processo é vital para que o mercado cultural da cidade, alcance novos e prósperos caminhos.

O Teatro Popular de Rio das Ostras fica na Avenida Amazonas, s/nº, no Centro. Para mais informações, basta entrar em contato pelo telefone: (22) 2764-1703. Os ingressos custam R$10(inteira).

Confira abaixo a programação do Festeiro:

06/10 – Tertuliano e Anatércia

Público: Adulto

Grupo: Cia. Da Capital Companhia Teatral

Horário: 20h.

Classificação etária: livre.

07/10 – O Pulo

Grupo: Pulo Cia de Teatro e Dança

Horário: 20h.

Classificação etária: 12 anos.

08/10 – La Bamba

Público: Infantil.

Grupo: Das Dores Circo Teatro.

Horário: 16h.

Classificação etária: livre.

08/10 – O Ferreiro e a Morte

Público: Adulto.

Grupo: Os Ferreiros.

Horário: 20h.

Classificação etária: livre.

Mostra Estudantil: Recital seguido da Peça Morte e Vida Severina.

Público: Adulto.

Grupo: Alunos do Mosaico.

Horário: 16h.

Classificação etária: livre.

09/10 – As Faces de Nelson Rodrigues

Público: Adulto.

Grupo: Alunos da Onda.

Horário: 20h.

Classificação etária: 12 anos.

12/10 – Eu Chovo, Tu Choves, Ela Chove

Público: Infantil.

Grupo: Cia. Pigmentus

Horário: 15h.

Classificação etária: livre.

- Cavaleiros dos Leões

Público: Infantil.

Grupo: Além da Onda Grupo de Pesquisa Teatral.

Horário: 18h.

Classificação etária: livre.

13/10 – Decameron – A Comédia do Sexo

Público: Adulto.

Grupo: Corpus in Scena Cia. De Teatro.

Horário: 20h.

Classificação etária: 14 anos.

14/10 – O Ferreiro e a Morte

Público: Adulto.

Grupo: Os Ferreiros.

Horário: 20h.

Classificação etária: livre.

15/10 – Me Avô Dom Quixote

Público: Infantil.

Grupo: Corpus in Scena Cia. De Teatro.

Horário: 16h.

Classificação etária: livre.

- Amor Líquido

Público: Adulto.

Grupo: Grupo Cria Expressões Humanas.

Horário: 20h.

Classificação etária: 14 anos.

 

Mariana Abrantes

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