Recém-reformado e entregue à população, o Estádio Correão passa a assumir um papel que vai além das arquibancadas e do gramado. Em Cabo Frio, a proposta é transformar a Rua Dácio Pereira de Souza, que margeia o equipamento esportivo, em um corredor cultural voltado à integração entre esporte, arte urbana, memória e uso coletivo do espaço público.
Inspirada em experiências adotadas por grandes clubes do Brasil e do exterior, a iniciativa prevê a criação de um extenso mural de grafite, assinado por artistas da cidade. As obras vão retratar momentos marcantes do esporte local e da trajetória da Cabofriense, resgatando símbolos que ajudaram a construir a identidade esportiva do município.
Além do grafite, o projeto inclui a presença de artesanato, intervenções artísticas e apresentações musicais em dias de jogo, especialmente no período que antecede as partidas. A ideia é que o espaço seja acessível à população, torcedores e visitantes, funcionando também como ponto de convivência e cenário atrativo para registros visuais.
Na manhã desta sexta-feira (16), a Prefeitura de Cabo Frio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, realizou uma visita técnica ao local a convite do clube. O encontro serviu para alinhar detalhes operacionais e definir o planejamento das ações culturais que serão implantadas no entorno do estádio.
Um dos idealizadores do projeto é André Felipe, conhecido como André Balada, atual presidente da Cabofriense. Natural de Cabo Frio, ele foi revelado pelo próprio clube, construiu carreira no futebol nacional e internacional e hoje atua também como comentarista esportivo. Segundo André, a proposta nasce de um desejo antigo de ampliar o papel do clube na vida da cidade. “A ideia surgiu de um sonho de fazer a Cabofriense ser um ponto turístico na cidade. Não só de futebol, mas também cultural e familiar. Tentamos trazer um pouco do que se vê na Argentina, adaptando à nossa realidade. A Cabofriense é o grupo da cidade, e queremos mostrar que ela representa cultura e família.”
Entre os artistas convidados está o grafiteiro Luis Henrique, conhecido como Orelha, que atua na arte urbana desde 2007. Ele será um dos responsáveis por dar forma visual às histórias do clube e do município nos muros do estádio. “Faço grafite desde 2007 e é uma satisfação enorme poder representar a minha cidade”, afirmou.
O projeto também contempla a criação de um museu dedicado à história da Cabofriense. O espaço deverá reunir acervos, documentos, registros históricos e elementos simbólicos que marcaram gerações de torcedores, reforçando a preservação da memória esportiva de Cabo Frio.