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Um novo papel para a escola: o currículo – parte 2

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Nas diversas teorias sobre o currículo existe algo em comum: a possibilidade de podermos interpretá-lo como um produto elaborado por especialistas, a partir de diretrizes, visando a uma programação das atividades de ensino que direcionam os alunos para atingir comportamentos desejados e pré-determinados. Porém, neste trabalho, é meu interesse discutir visões alternativas sobre o conceito currículo. Visões que favoreçam a flexibilização do currículo, sua identificação com as demandas sociais de nossos alunos.

O currículo representa, ainda, o que é um perigo, muito mais do que um programa de estudos, um texto em sala de aula ou o vocabulário de um curso; representa a introdução de uma forma particular de vida; serve, em parte, para preparar os estudantes para posições dominantes ou subordinadas na sociedade.

Na nova escola, com novo papel, o currículo precisa ser percebido como a cultura real que surge de uma série de processos vividos e experimentados pela comunidade educativa na sua interface com a sociedade. Não podemos aceitá-lo como um objeto delimitado e estático que se pode planejar e depois implantar.

É preciso a percepção de que o currículo, como medalha de duas faces, apresenta uma dimensão formal, construída a partir de acordos entre os personagens da gestão do projeto escolar, e, outra, informal, estabelecida a partir das manifestações não prescritas na dimensão acadêmica da ação educativa e no cotidiano histórico-social vivido pelos personagens envolvidos no processo ensinoaprendizagem. Essa dimensão chamamos vivida.

Sendo assim, toda decisão que envolve a matriz curricular é política, traduz um desejo, uma vontade de produzir algo. É evidente que o referido desejo nem sempre é transparente. Muitas vezes, quase sempre, ele está subjacente, velado, constituindo o que chamamos de currículo oculto. É por intermédio, especialmente, do currículo oculto que diferentes mecanismos de poder penetram na escola sem que estejam explícitos no currículo formal ou vivido.  Para aqueles que acreditam na educação enquanto ferramenta de libertação, força para as mudanças, faz-se necessário desvelar o que está oculto na formalidade das duas dimensões curriculares. O desvelamento permitirá abolir tudo que limita e submete as pessoas aos desejos dos grupos minoritários que, de certa forma, controlam o núcleo de decisões da sociedade.

Outra percepção de fundamental importância está relacionada á decisão para definir os objetivos, conteúdos, procedimentos metodológicos e procedimentos de avaliação contidos no currículo. A decisão não é apenas de natureza técnica. Ela está relacionada com as formas de conceber a sociedade, a escola, o conhecimento. Elas são formas culturais de organização da escolarização, tendo em vista ideais de modelo de sociedade, de homem e de mundo e, logicamente, objetivando a consolidação de uma determinada ideologia. Não se trata, portanto, apenas de uma decisão técnica acerca de uma determinada metodologia de trabalho em sala de aula.

È necessário também ter a percepção de que a escola contemporânea está muito acostumada com a idéia de que o mais importante é a idéia da transmissão/ assimilação/ construção do conhecimento. Isso é verdade, porém deve ser extirpado da nova matriz curricular.

Professor José Augusto Abreu Aguiar

 

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