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Série de Turismo em Macaé: As belezas das ilhas que cortam a cidade

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Olá, amigos leitores!

Após finalizarmos, na última publicação, a série de ilustres viajantes que estiveram aqui, no decorrer dos séculos, iremos iniciar a série Turismo em Macaé. Essa série tratará de assuntos relativos aos patrimônios naturais e histórico culturais do município, apontando lugares e histórias que estão diretamente ligados aos interesses turísticos, além de divulgar informações e curiosidades de interesse geral.

Sendo assim, nada mais justo do que começar pela menina dos olhos de Macaé, o Arquipélago de Santana.

O Arquipélago de Santana é composto pelo lhote Sul, Ilha de Santana (ao centro), Ilha do Francês (ao norte) e Ponta das Cavalas ( uma laje com acesso restrito à leste da Ilha do Francês)

Ali, estão instituídos um Parque Municipal e uma Área de Proteção Ambiental do Arquipélago de Santana, localizado a entorno de 8 km de distância da costa macaense.

Além de ser um santuário ecológico com exuberantes belezas naturais, é também um lugar de grande interesse científico de diversas áreas da ciência, como a geologia, arqueologia, antropologia e biologia, entre outras.

A Ilha de Santana é a maior das ilhas, situada ao centro, sedia hoje uma base da Marinha do Brasil. Portanto, para desembarcar nessa ilha, é necessário obter, previamente, autorização da Marinha.

Na Ilha de Santana, em 1981, ocorreu uma grande descoberta científica, durante a instalação de uma torre de telecomunicações, pela Petrobras. Durante as escavações foi encontrada uma ossada humana, que foi direcionada inicialmente à delegacia e posteriormente ao Museu Nacional (gerido na época pelo SPHAN) e após datação, pelo método de Carbono 14, nos Estados Unidos, constatou-se ser uma ossada de aproximadamente 1300 anos.

O grande destaque dessa descoberta se dá, não pela idade da ossada (pois Lucy, a ossada mais antiga encontrada no Brasil, tinha entorno de 12.500 a 13.000 anos), mas sim pelo fato de ser a primeira ossada encontrada em ilhas em toda a costa do Brasil.

Já a Ilha do Francês, por sua vez, está interligada à importante patrimônio geológico mundial, segundo afirmam recentes relatórios, realizados por geólogos especialistas no assunto.

Segundo os pesquisadores, ali foram encontradas rochas ortognaisses, oriundas de colisões, há algo entorno de 200 milhões de anos, que resultaram no continente Gondwana (Quando Pangea se separou e resultou em duas porções de continente, a do Hemisfério Norte se chamava Laurásia e a do Hemisfério Sul Gondwana)

 

Nesse relatório consta também que há entorno de 130 milhões de anos, essas rochas que hoje compõe a Ilha do Francês, presenciaram a separação de Gondwana e a formação do Oceano Atlântico.

A APA e Parque Municipal do Arquipélago de Santana, é também palco de diversas outras modalidades de pesquisas científicas, pois possui moluscos endêmicos, corais ao seu entorno, remanescentes de Mata Atlântica e uma grande biodiversidade em sua fauna e flora, contando também com aves migratórias do Hemisfério Norte.

Esse lugar, também contém muitos contextos históricos envolvendo pirataria e tráfico inicialmente de pau-brasil e posteriormente de escravos. entre os séculos XVI e XVII, muitos viajantes europeus que passaram por essas ilhas para se abastecer, pois na Ilha de Santana existe até hoje uma nascente de água doce, foram realizados relatos, onde, em mais de 20 livros, Macaé já ganhava destaque com suas riquezas, antes mesmo do Brasil se chamar Brasil.

A Ilha de Santana também possui o farol, que a partir de 1910, se tornou o farol marítimo oficial de Macaé.


*Grazielle Heguedusch – Turismóloga com Pós graduação em História e Cultura no Brasil. Criadora do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Autora do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. Pesquisadora do OMM Observatório da Memória Macaense. www.almanaquemacaetur.com.br

*Rúben Pereira – Musico, Poeta e Memorialista. Criador do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Gerencia o OMM Observatório da Memória Macaense.  Co-autor do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. www.almanaquemacaetur.com.br

 

Crédito: Acervo Desvendando Macaé

 

 

 

 

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