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O ódio nosso de cada dia

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"Tenho visto demasiado ódio para querer odiar." (Martin Luther King)

Na atualidade, em decorrência do grande avanço tecnológico, das múltiplas possibilidades de comunicação virtual, isto é, de relacionamentos sem que exista a presença física, ficou bem mais fácil destilar o ódio. O ódio enquanto um sentimento que traduz, além de profunda aversão, raiva, rancor, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo.

O ódio deve ser considerado por nós como um sentimento profundamente negativo, algo contrário ao amor, sendo gerador de experiências que abalam profundamente o equilíbrio harmônico entre as pessoas.  Ele é responsável por sentimentos que traduzem preconceitos contra um grupo particular de pessoas, tais como os religiosos, sociais, culturais, linguísticos, sexuais, etc.

No Brasil, na internet, são, em média, mais de mil denúncias de manifestações contra os direitos humanos por dia. Dessas, quase 70% são relacionadas a manifestações de ódio, das quais 28%, o segundo maior percentual, dizem respeito aos preconceitos.

O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos, parece que todo mundo odeia tudo e todo mundo. O coxinha odeia o petralha e vice-versa, o religioso conservador odeia quem possua ideias mais avançadas, parte da sociedade odeia a polícia, o manifestante odeia o político, a pessoa tradicionalista odeia o “marxista” sem saber a razão, enfim, é todo mundo odiando todo mundo. Estamos vivendo uma época de manifestações sem sentido, pobres, distantes da tolerância, do respeito, do cuidado.

Ao vivermos, com constância absurda, experiências de ódio, ficamos cegos e impossibilitados de enxergarmos as nossas limitações, isto é, não conseguimos compreender que nem tudo que queremos podemos ter, “assim como, não enxergamos que o problema às vezes é por nossa culpa e não dos outros”.

Diante do que refletimos cabem alguns questionamentos: como lidar com o ódio? O que podemos fazer para evitar o ódio?

Inicialmente, ainda que não represente necessariamente a primeira ação a ser adotada para responder aos questionamentos apresentados acima, devemos, sempre, realizar a experiência de estar no lugar do outro, pensando como nós gostaríamos de sermos tratados e valorizados. Posteriormente, devemos buscar ajuda, apoio, de outras pessoas que, em algum momento de suas vidas, vivenciaram o ódio de modo agudo e, com esforço e equilíbrio, conseguiram superá-lo. Por fim, uma ajuda valiosa seria a terapia psicológica, que poderá ajudar a identificar a origem do nosso ódio; identificar novas formas de perceber a situação, e por fim desenvolver novas atitudes de enfrentamento das adversidades provenientes do mesmo.

Agora, a grande ação de oposição ao ódio, a todas as suas consequências, depende fundamentalmente de nós: precisamos aprender a superá-lo, precisamos deixar de alimentá-lo, precisamos libertá-lo das cadeias perversas que construímos em nosso interior.

Professor José Augusto Abreu Aguiar

 

 

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