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O louco do espelho

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Os olhos estavam fitos no espelho. Em um profundo percorrer às entranhas da loucura, em um claro momento de pausa, a reflexão surgiu como um meteoro: _ Afinal de contas quem merece mais aplausos, um lixeiro anônimo ou um ator de Hollywood? Quem é mais indecifrável em sua história? Quem é mais complexo? Não há diferença. Ambos.
Mas os “normais” acham isso uma heresia...
Os “normais” levanta-se sempre do mesmo jeito. Reclamam da mesma maneira. Irritam￾se com as mesmas circunstâncias, xingam os mesmos palavrões, cumprimentam-se das
mesmas formas e comumente dão as mesmas respostas ao seus problemas. O mesmo mau humor, as mesmas reações, crendices e previsibilidades. Já os loucos são “doidos”. Distribuem os sonhos do encantamento, bombeiam a imaginação, permitem-se captar seus sentimentos, cativam e são cativados, navegam pelo desconhecido e surpreendem a existência.
Os loucos sonham acordados e afastam de si os monstros que os assediam, monstros alojados na mente humana e no terreno social. E os segredos dos sonhos loucos não é o sucesso, mas o livrar-se do conformismo. Então diante do espelho mais uma reflexão:
_ ou vivemos nossos sonhos ou nos preocupamos com nossa imagem social... Ou somos fiéis a nossa loucura ou gravitamos na orbita do que os outros pensam e falam de nós...
Existe uma grande diferença entre consciência e reputação, entre obrigação e essência e entre conquista e propósito.
Os “normais” são tão famintos, que quando encontram um “maluco” que os tirem o gesso da loucura, são capazes de endoidar a vida! Isso é porque os loucos usam muito mais !o poder da fé” do que o “poder do medo” e ao cintilar essa verdade diante do espelho, o louco aprende dando risada de si mesmo, pois aprende a arte de desanuviar
a cabeça, uma tendência desconhecida pelos normais.
A vida para um louco é linda, maravilhosa, delirantemente amável, admirável e apetitosa! Não esta contaminada com o vírus do formalismo e nem oculta nos bastidores do “Grande Espetáculo”. O louco tem consciência que no Teatro da Humanidade os dramas e as comédias são as mesmas para atores e plateia.
Ainda diante do espelho, mais uma reflexão: _ conheço um bando de malucos!
Anônimos, eles tornam-se conhecidos pelos seus feitos. A “fábrica de loucos” traz as manifestações de suas próprias experiências para estimular as ideias dos outros. E como diria meu nobre colega escritor Augusto Cury, neste deslavado “hospício social”, os loucos são os protagonistas, pois percebem que quando tombamos no silêncio de um
túmulo, não somos doutores, intelectuais, lideres, políticos ou celebridades, mas sim frágeis mortais.
Os loucos se entendem! Deus livra-me dos “normais”!

Paulo Maravilha, Coach de Vida, entusiasta, escritor.

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