Mídias Sociais

Artigos

Imobilidade social

Avatar

Publicado

em

 

Dos muito índices e números que são mostrados a cada Fórum Econômico Mundial o que trata da mobilidade, ou imobilidade, social no Brasil me chamou a atenção e quero dividir com vocês: No Brasil o mais pobre levaria 9 gerações para atingir a renda média do país. Isso quer dizer que só o tataraneto do tataraneto de um sujeito entre os mais pobres no Brasil, teria uma renda na média nacional. Estamos falando de média e não uma posição entre os mais ricos.

Na Dinamarca por sua vez, o indivíduo no menor patamar ascenderia em duas gerações. Reparem a brutal diferença. Não trago aqui novidades comparando o Brasil a Dinamarca, as diferenças são muitas, entretanto é fundamental estabelecer um paradigma para termos a noção exata do abismo que nos separa e o quanto isso é grave.

Uma realidade tão desigual quanto a nossa e que leva tanto tempo para ser reduzida, evidencia como o problema é complexo e requer compromisso e atuação em diversas áreas para a solução. Rendas tão desiguais só existem acompanhadas de inúmeras outras desigualdades, como na aprendizagem. Somos um dos piores no ranking de aprendizagem que para chegar a números finais leva em conta 5 áreas: saúde, educação, tecnologia, trabalho e proteção social.  Será que há como ter um bom desempenho nessas áreas sendo tão desigual? Tenho certeza que não.

A má aprendizagem não é causa, é consequência. Não é difícil imaginar como a realidade socioeconômica de um aluno no menor patamar interfere na maneira como este irá aprender em sua vida escolar. Muitas vezes sem comer, com familiares desempregados e com condições de higiene precárias em casa, esse aluno vai para a escola. Como exigir que esse jovem deixe tudo para fora do muro do colégio e tenha plena condições de absorver o que é ensinado? Sinceramente, eu não conseguiria.

A grande conclusão que chego disso tudo é que não podemos imaginar a resolução de problemas sérios da nossa sociedade isolando cada um deles. Violência não se resolve só com polícia, mas com cultura, educação e presença do Estado. Educação não se resolve só com escola, mas também com geração de renda e emprego. Saúde não se resolve só com hospitais, mas com saneamento e educação. Precisamos de um olhar atento nessas eleições para a maneira como nossos candidatos enxergam a realidade do nosso país e da nossa cidade. Está mais que provado que o isolamento não traz solução para nada.

 

Daniel Raony

Advogado , Pós-graduado em Gestão de Políticas Públicas e formado no RenovaBR Cidades.

E-mail: danielraony@hotmail.com

No instagram e no facebook: Daniel Raony

Mais lidas da semana