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História Cronológica de Antigos e Memoráveis Visitantes à Macaé (II)

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Grazielle Heguedusch* e Rúben Pereira*

Continuando nosso desvendar Macaé, esta semana apresentaremos o Roteiro dos 7 Capitães. Relato importante para entender a formação da gênese de nossa região.

 OS SETE CAPITÃES

Para falar dos Sete Capitães, é necessário recobrar alguns fatos anteriores da história.

O Rio Macaé, era divisão entre duas capitanias hereditárias: São Thomé (que ia da margem norte do Rio Macaé até a margem sul do Rio Itabapoana - ES) e São Vicente (que ia da margem sul do Rio Macaé até São Paulo).

A Capitania de São Thomé, havia sido doada para Pero Gois, amigo de infância do Rei de Portugal em 1535, porém, após anos de tentativas, não resistiu aos diversos embates com os índios Goytacás, abandonou a Capitania e retornou para Portugal, falido e sem um olho, que os Goytacás haviam lhe arrancado.

Em 1619, a Capitania de São Thomé, incorporou-se à coroa.

Ao perceberem que as terras macaenses estavam abandonadas, sendo então vítima de pirataria e tráfico de riquezas (pelo seu fácil acesso e abundância em riquezas naturais), os Sete Capitães solicitaram ao rei que lhes doasse essas terras através de Sesmaria, para que delas pudessem cuidar com mais atenção.

Os sete capitães, eram militares desbravadores que trabalhavam para a coroa, defendendo o território brasileiro de invasões de outros países.

Eram eles: Capitão Gonçalo Correa de Sá, Manoel Correa, Dutra Correa, Miguel Ayres Maldonado, Antonio Pinto, João de Castilho, Miguel Riscado.

Essa concessão por Sesmaria foi concedida em 20 de agosto de 1627, no entanto, havia a condição de que pagassem o fôro, aos então donatários, herdeiros de Pero Gois. Assim o fizeram os capitães, empossando-se legalmente das terras de Macaé. Apesar de sua coragem e bravura, os Sete Capitães, ficaram apreensivos com a fama dos índios que aqui vivam.

Vieram visitar Macaé apenas em 1632, para pessoalmente conhecer suas terras.

Miguel Ayres Maldonado, escreveu, então, uma preciosa obra "Roteiro dos Sete Capitães", que descrevia os episódios que envolveram a aquisição, exploração, divisão e pôr fim a perda das terras macaenses.

Em um trecho do livro, descreve sua chegada: "(...) no dia 11 chegamos a Macaé pelas 8 horas da manhã; aqui desembarcamos e fomos tomar conhecimento desta povoação. Com efeito não achamos gente de maior consideração, choupanas cobertas de palha se compunha o seu arraial, seus habitadores eram mamelucos, porém muito casteados e agradáveis. Esta gente se ocupava na pesca, aonde achamos muitos bagres, que deles fizemos mantimentos e refresco. (...)".

Por: 

*Grazielle Heguedusch – Turismóloga com Pós graduação em História e Cultura no Brasil. Criadora do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Autora do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé. Pesquisadora do OMM Observatório da Memória Macaense.

*Rúben Pereira – Musico, Poeta e Memorialista. Criador do Almanaque Macaé Turismo e do Desvendando Macaé. Gerencia o OMM Observatório da Memória Macaense.  Co-autor do Be-a-bá do Receptivo Turístico de Macaé.

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