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Eu prefiro ser o 24º

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Mais uma vez a política no estado do Rio de Janeiro toma os noticiários nacionais. Não, não se trata de mais um caso de corrupção. Fato que isso é um alívio, mas também não há nada para se comemorar. Um vereador da cidade do Rio de Janeiro do PP -Partido Progressista, senhor Marcelino D` Almeida que de progressista parece que não tem nada, proporcionou uma das atitudes mais bizarras e infantis que eu tive conhecimento desde que deixei para trás a minha turma da quinta série no colégio.

O referido vereador, recusou-se a votar duas vezes na sessão da Câmara de vereadores da cidade do Rio, porque o seu número na chamada era 24, e esse é o número que se refere ao veado no jogo do bicho. Alguns deram risadas sobre essa notícia. Confesso que não consegui e vou narrar o mesmo fato de uma maneira que fique claro o tamanho do descompromisso envolvido.
Simplesmente, um vereador eleito pela população para decidir sobre os rumos de uma das cidade mais importantes do Brasil e das mais conhecidas do mundo, recusa-se a votar porque a sua posição na chamada nominal era a vigésima quarta e esse número, em um jogo que é proibido por lei e considerado contravenção penal, representa um animal que por sua vez é usado, popularmente, para ofender homossexuais.

O vereador numa tacada só - péssima tacada por sinal - mostrou claramente que seu dever público é secundário diante de seus preconceitos. O eleitor, inclusive de Macaé, precisa ficar atento ao tipo de pessoa que trata a orientação sexual de alguém como ofensa. Nunca vi alguém se sentir ofendido porque foi chamado de “macho”, então por que ser considerado “gay” é algo digno de tamanha revolta e que até lhe impede de participar da votação? Não tem explicação lógica e madura para isso.
Não se trata de discussão de esquerda ou direita. Respeito ao ser humano e sua diversidade é obrigação de qualquer partido político, corrente ideológica e homens ou mulheres públicas, como é o caso do vereador Marcelino.

Talvez para ele fosse muito mais tranquilo votar numa sessão em que seu número fosse outro que popularmente é usado para ofender. Eu, particularmente, não teria nenhum problema em ser o número 24 em qualquer lista. Talvez seja porque minha orientação sexual é muito bem definida. Sinceramente prefiro ser chamado de “24” do que “171” ou até de “3”, que é número do burro no jogo do bicho.

Daniel Raony
Advogado , Pós-graduado em Gestão de Políticas Públicas e aluno do RenovaBR Cidades.
E-mail: danielraony@hotmail.com
No instagram e no facebook: Daniel Raony

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