Novas investigações da Operação Compliance Zero, que teve sua 9ª fase iniciada nessa semana pela Polícia Federal (PF), apuram uma suposta ligação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o caso do Banco Master.
Entre os objetivos da operação dessa semana, teve o líder do governo Lula (PT-SP) no Senado como alvo, está descobrir se Jaques Wagner teria recebido um apartamento no valor de 2,4 milhões de reais de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master.
O apartamento aparece em uma conversa de novembro de 2024 entre Jaques Wagner e Augusto Lima, em que o senador repassava dados do imóvel ao banqueiro, incluindo o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento, a unidade em questão e o valor.
No dia seguinte, o senador também teria encaminhado o material digital de apresentação do imóvel, que, segundo a PF, poderia ter sido adquirido por meio de estruturas societárias e financeiras interpostas ligadas ao grupo do Banco Master.
Em resposta à CNN, a defesa de Augusto Lima teria respondido que as diligências da PF realizadas nessa quinta-feira, 17, foram “desnecessárias”, negando ainda qualquer prática ilícita, enquanto o líder do governo no Senado disse ao portal de notícias que nunca atuou em favor do Banco Master.
“O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas. Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira. Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá”, disse o senador em nota.
Iniciada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero foi responsável pela 1ª prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, e de seu ex-sócio, Augusto Lima, que também foi preso, além da decretação da liquidação extrajudicial do Master, pelo Banco Central (BC).
Dias após sua prisão, Vorcaro foi solto com tornozeleira eletrônica, mas acabou preso novamente, em março desse ano, atualmente detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Ao longo dos últimos meses, a investigação apontou uma rede complexa liderada por Daniel Vorcaro, que incluía articulação política e gerenciamento de um grupo responsável por intimidar desafetos, acessar sistemas restritos e obter informações sigilosas.
O senador Jaques Wagner é o 3º apontado com supostas ligações com o ex-banqueiro do Master, se juntando a Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além dos ex-governadores do Rio, Cláudio Castro (PL), e de São Paulo, João Doria (sem partido), do ex-ministro da Economia, Guido Mantega (PT-SP), do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), do presidente da Câmara Federal, deputado Hugo Motta (REPUBLICANOS-PB), e outros como Antonio de Rueda (UNIÃO-RJ), ACM Neto (UNIÃO-BA), e o ex-presidente Michel Temer (MDB-SP).