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Prefeitura de Carapebus nega participação em abertura de lagoa da região que está sendo investigada como crime ambiental

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A Prefeitura de Quissamã e a Prefeitura de Carapebus realizaram o fechamento da barra da Lagoa do Paulista, na tarde da última segunda-feira, 23, resultado de um trabalho de prevenção do nível das lagoas que banham os municípios.

De acordo com o governo de Carapebus, a abertura foi feita clandestinamente, sem nenhuma participação de equipes ou funcionários da prefeitura, informação confirmada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) conforme publicação do site Plantão Enfoco.

O caso chamou a atenção do Governo do Estado, que, através da Secretaria Estadual de Ambiente e Sustentabilidade, montou uma força-tarefa para tentar conter a chegada de toneladas de plantas aquáticas às praias da Região dos Lagos, que teria sido causada pela abertura de duas lagoas do Parque Nacional (Parna) da Restinga de Jurubatiba.

Administrador do Parna Jurubatiba, o Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade (ICMBio), porém, explicou que autorizou a Prefeitura de Carapebus a abrir a Lagoa de Carapebus, no último dia 13 deste mês, devido à alta quantidade de água na lagoa, que estava provocando alagamentos no balneário e em bairros da cidade.

Segundo do secretário de Meio Ambiente de Carapebus, Lenildo Lamoglia Bastos, a prefeitura havia feito uma solicitação ao parque para fazer a abertura da barra de Carapebus, que foi autorizada, em caráter emergencial, pelo ICMBio.

O secretário contou que com as chuvas que caíram no município à época, caso a lagoa não fosse aberta, a cidade corria o risco de decretar estado de calamidade, já que a água das chuvas estava voltando para o município, provocando alagamentos em casas e estabelecimentos comerciais da orla.

“Afetou muitas casas e bares do balneário. Tinha freezers boiando. Foi algo que nunca tínhamos visto aqui na região”, contou Lenildo Lamoglia.

O gestor comemorou a autorização do ICMBio, já que, segundo ele, com o volume de chuva que caiu na cidade entre os dias 24 e 25 de dezembro deste ano, a Lagoa de Carapebus encheu novamente, o que poderia ter provocado uma situação seria ainda mais calamitosa no município.

Sobre a abertura irregular da Lagoa do Paulista, que banha os municípios de Carapebus e Quissamã, o Comando da Polícia Ambiental (CPAm) chegou a ser acionado para apreender uma retroescavadeira que ainda estava no local e que teria sido usada para fazer a abertura clandestina da barra da lagoa.

De acordo com a Prefeitura de Quissamã, os trabalhos feitos pelo governo municipal foram realizados por meio da Secretaria de Agricultura, Meio Ambiente e Pesca, e começaram há uma semana, contando com máquinas e tratores, além de funcionários da pasta, visando fechar essa abertura.

Ainda de acordo com a Prefeitura de Quissamã, as ações foram acompanhadas com a orientação e supervisão do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NUPEM/UFRJ), do Conselho Gestor do Parna Jurubatiba, do Inea e do próprio ICMBio.

“Com a abertura autorizada da barra de Carapebus, tomamos algumas medidas para proteção do nível da água de nossas lagoas e canais. Na semana passada, interrompemos a ligação do Canal Campos-Macaé, na altura do Horto Municipal, para que o fluxo de água em direção à barra fosse sanado, já as lagoas costeiras são abastecidas pelo nosso canal. Se não acontecesse esta intervenção, com nível elevado da Lagoa Feia, o fluxo de água seria muito grande, acarretando um tempo grande da barra aberta. Com a abertura novamente da barra, fomos com as equipes e maquinários para a Lagoa do Paulista, e por mais de 72 horas, para recompor a areia e fechar artificialmente a barra. Nesta ação contamos com a parceria da Prefeitura de Carapebus. Trabalhamos com duas máquinas, caminhões e funcionários, além do auxílio aos órgãos ambientais que estavam presentes em todos os momentos. O próximo passo é a vigilância constate do local para que novas intervenções sem autorização não sejam realizadas. Agradeço todos os órgãos envolvidos, em especial, ao ICMBio, na pessoa do chefe do Parna Jurubatiba, Marcelo Pessanha, pela parceria e apoio”, disse o secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Pesca de Quissamã, Luiz Carlos Fonseca Lopes.

O aparecimento de gigogas e taboas, vegetação tipicamente aquática, que tomaram as areias das praias do Peró e das Conchas, em Cabo Frio, e de Tucuns, em Armação dos Búzios, foi rastreado pela força-tarefa do governo estadual, que também vem realizando a limpeza das praias afetas e segue investigando o caso da abertura clandestina da Lagoa do Paulista.

“Embora a região seja de responsabilidade federal, diante da gravidade do caso e da urgência na tutela dos recursos naturais, os órgãos ambientais estaduais agiram prontamente e tomaram medidas de monitoramento e controle da situação”, avaliou o secretário estadual de Ambiente e Sustentabilidade, Altineu Côrtes.

Além do Governo do Estado, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) investigam a possibilidade de crime ambiental na região. Mais de 230 toneladas de plantas aquáticas já foram recolhidas das praias de Cabo Frio e Búzios pelas autoridades desde a semana passada.

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