Mídias Sociais

Política

Deputado estadual do Rio alerta para risco de intervenção agravar problemas de segurança no interior do estado

Publicado

em

 

Cidades da Região dos Lagos e do Norte Fluminense tiveram aumento da criminalidade nos últimos anos

Apontada como solução para os problemas da segurança pública no Estado do Rio, a intervenção federal, aprovado nesta terça-feira, 20, pelo Congresso Nacional, segue causando polêmica nas casas legislativas do estado.

Depois de vereadores de Macaé abordarem o tema e criticarem o Governo do Rio pela crise na segurança pública, nesta quarta-feira, 21, foi a vez do deputado estadual Bruno Dauaire (PR) falar sobre o assunto.

Em sessão plenária na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), o deputado, que tem base eleitoral em Campos dos Goytacazes, alertou que a intervenção, com foco na capital, poderá ter como efeito colateral a migração da criminalidade para o interior do estado, mesma preocupação do ex-prefeito de Casimiro de Abreu, Antônio Marcos (PSC).

“Não adianta fazer a política do cobertor curto, cuidando apenas da capital, esquecendo o interior e Região dos Lagos”, disse Dauaire em discurso nesta terça-feira, no plenário da Alerj.

O deputado lembrou ainda que este efeito colateral aconteceu durante a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), em 2010, quando o Exército ocupou diversas comunidades cariocas, levando muitos criminosos a migrarem para o interior, em especial para a Região dos Lagos e parta o Norte Fluminense.

Durante seu pronunciamento na Alerj, Bruno Dauaire foi incisivo também ao pedir a exoneração de toda cúpula da segurança, incluindo o chefe da Polícia Civil e do comandante da Polícia Militar.

Já o ex-prefeito de Casimiro, recordou que a migração dos criminosos não se limitou apenas às ocupações do Exército no período das UPPs, e citou ainda grandes eventos internacionais protagonizados recentemente pela capital fluminense.

“Quando aconteceram os grandes eventos no município do Rio de Janeiro, como a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016), a vinda das Forças Armadas no auxílio da segurança espantou boa parte da bandidagem para o interior do estado”, lembra Antônio Marcos.

A migração de criminosos para essa região se explica pelo bom poder aquisitivo que essas cidades proporcionam, mesmo nesse momento de crise econômica e financeira, o que, inclusive, fornece mão de obra para esses criminosos.

Cidades como Cabo Frio, Rio das Ostras, Macaé e Campos dos Goytacazes , bem como Casimiro de Abreu, Quissamã, São João da Barra e Conceição de Macabu, vêm convivendo com uma quantidade imensa de jovens sendo recrutados pela criminalidade, todos os dias.

Em Rio das Ostras, a população sofre frequentemente com toques de recolher, fechamento de ruas, imposições a motoristas de vans, tudo devido aos confrontos entre a polícia e facções rivais.

Em Macaé, a preocupação com o Lagomar continua, mesmo depois de um mês de um conflito que deixou um policial militar morto e dezenas de feridos. Nesta quinta-feira, Polícia Militar realizou uma operação no bairro, nas adjacências das ruas W5 e W30.

“Por medida de segurança, o Comando da 32º Batalhão (32º BPM) sugeriu que as unidades escolares da localidade tivessem suas atividades suspensas. Assim, a Prefeitura de Macaé comunica que estão suspensas as aulas, nesta data, nas escolas municipais Paulo Freire, Balneário Lagomar e as de Educação Infantil Norma Shirley da Silva Fernandes, Maria Angélica de Oliveira das Dores, Iracy Pinheiro Marques e  Ana Cristina Ferreira Azarany Almeida”, publicou a prefeitura, em nota.

Com políticas sociais implementadas pelas prefeituras apenas de forma solitária, sem qualquer apoio das autoridades estaduais ou federais, a região sofre ainda diante de um fenômeno crescente, e a preocupação de políticos locais é a tendência desse problema se acentuar com o endurecimento da política repressiva na capital, depois da intervenção federal na segurança pública do estado.

 

Tunan Teixeira

Foto: Reprodução


 

Mais lidas do mês