Mídias Sociais

Destaque

Vídeo: DJ famoso e outras quatro pessoas são presas por tráfico em boate de Rio das Ostras

Bertha Muniz

Publicado

em

 

A operação batizada como “Dama de Negro” foi deflagrada após denúncias relatando a venda de drogas sintéticas indiscriminadas no local.

Cinco pessoas foram presas durante uma festa na boate La Playa, localizada no bairro Enseada das Gaivotas, em Rio das Ostras, na noite deste sábado (16). Dentre os detidos estava a atração principal da noite, Gabriel Antônio Serrasqueiro, o famoso DJ Gabe, que já tocou em festas eletrônicas reconhecidas mundialmente, como a Tomorrowland Brasil.

Os outros presos foram identificados como Márcia Vanessa Correa, Thiago Barbosa da Silva, Rodrigo Muller Barbosa da Silva e Vitor Matias Gama. Um deles é assistente pessoal de Gabe.

A operação batizada como “Dama de Negro” foi deflagrada pela Polícia Civil, após denúncias relatando a venda de drogas indiscriminadas dentro da boate. A  Polícia Militar e a Guarda Municipal deram apoio a ação.

Segundo o delegado responsável pela operação, Ronaldo Andrade Cavalcante, a Polícia Civil já havia aberto inquéritos para apurar denúncias de jovens que afirmaram terem sido violentadas do lado de fora da boate La Playa.

“Várias meninas já haviam relatado, anteriormente, terem sido levadas para a praia, que fica nas cercanias do local, e violentadas após o consumo de drogas dentro da boate”, afirmou Cavalcante.

Na festa deste sábado, que teve início às 15h, policiais à paisana foram infiltrados na La Playa para flagrar a venda de entorpecentes.  Por volta das 20h30, as forças de segurança entraram no local, encerraram o evento e revistaram cerca de 400 pessoas.

Ainda de acordo com o delegado responsável pela operação, uma quantidade significativa de entorpecentes, - maconha, cocaína, ecstasy, LSD e loló-, foi apreendida. A maior carga era de drogas sintéticas, que foram encontradas no chão, dentro de garrafas de bebidas, nos banheiros, inclusive nas partes privadas da boate, como na cozinha e no estoque.

Entorpecentes como maconha, cocaína, ecstasy, LSD e loló, foram apreendidos no local. A maior carga era de drogas sintéticas.

Entre os pertences do DJ Gabe, e de seu assistente, foi apreendida uma quantidade de cocaína e maconha, além de um farto material entorpecente sintético. O estabelecimento foi periciado, e a Polícia Civil irá solicitar a cassação do alvará de funcionamento da La Playa. Os donos da boate foram ouvidos e liberados, porém a polícia irá investigar a participação deles no comércio de drogas ilícitas. Os cinco envolvidos foram presos em dois flagrantes distintos, de acordo com Cavalcante.

“Três suspeitos presos traziam drogas da cidade de São João de Meriti para vender dentro do estabelecimento.  Eles deixavam a droga no carro e iam levando para a boate à medida que as vendiam”, relatou o delegado. Os outros dois presos foram o DJ Gabe e seu assistente.

Os cinco foram levados para a 123ª Delegacia Policial de Macaé (123ª DP) -, responsável pela Central de Flagrantes do fim de semana-, onde foram autuados por tráfico de drogas. Eles foram transferidos na manhã desta segunda-feira (18) para presídios distintos de Campos dos Goytacazes, onde devem passar por audiência de custódia nesta terça-feira (19).

A Polícia Civil já solicitou à Justiça a prisão preventiva dos cinco indiciados. Ainda de acordo com o delegado, alguns usuários de drogas também foram levados para a delegacia e liberados após assinarem termos circunstanciados.

Boate emite nota de esclarecimento

A boate La Playa, emitiu uma nota, nesta segunda-feira (18), explicando o ocorrido. No documento, a casa de shows alegou que as forças de segurança entraram no estabelecimento sem mandado de busca e a apreensão, revistando cerca de 200 pessoas que assistiam a apresentação de um DJ.

Cartaz da festa anunciando O DJ Gabe, preso em flagrante por tráfico, como atração principal.

Os responsáveis pelo estabelecimento afirmam na nota que, ao contrário do que foi apresentado pela polícia, nenhuma droga foi apreendida nas dependências particulares da casa de shows, tendo os entorpecentes sido encontrados com usuários e em carros estacionados do lado de fora do local.

O documento ressalta que a boate La Playa possui alvará de funcionamento expedido pela prefeitura de Rio das Ostras, com certificado validado pelo Corpo de Bombeiros. A nota afirma ainda que a casa dispõe de seguranças terceirizados contratados para coibir o uso e a comercialização de entorpecentes.

 

Polícia Civil contesta nota

Procurado por nossa equipe de reportagem, o delegado titular da 128ª Delegacia Policial de Rio das Ostras (128ª DP), Ronaldo Cavalcante, contestou as informações contidas na nota emitida pela boate.

“Os donos da boate foram indiciados na permissão do uso de entorpecentes no local. Colhemos depoimentos dos usuários e dos presos, e é uníssono não se saber que ali se vendia droga”, afirmou o delegado.

Em relação à cassação do alvará da La Playa, Cavalcante afirmou que a Polícia Civil irá oficiar a prefeitura de Rio das Ostras para que seja feita a revisão da autorização de funcionamento da boate.

“Iremos abrir um procedimento para termos ciência do conteúdo do laudo emitido pelo Corpo de Bombeiros, que deu positivo para a realização de eventos desse porte, pois não eram 200 pessoas e sim 400, segundo informações colhidas no local. Durante a perícia ficou claro que o local não é indicado para comportar essa quantidade de público. Além disso, os corredores são estreitos e as saídas também”, destacou o delegado.

Com relação à falta de um mandado de busca e apreensão, Cavalcante afirmou que a operação foi deflagrada através de denúncias, não havendo necessidade de nenhum tipo de documento para que os agentes entrassem na boate. “Nós temos o dever de fiscalizar e por isso temos que entrar no local e ali apurar o ilícito penal. Ingressamos no estabelecimento e encontramos drogas, inclusive nos setores privados da casa, além do que foi apreendido na pista. Então se a pessoa teve acesso às dependências da boate, há sim um forte indício de que os donos estavam cientes da venda de entorpecentes, quiçá envolvidos com a prática delituosa”, finalizou Ronaldo Cavalcante.

Assista ao momento em que a polícia entra no evento:

 

 


 

Mais lidas do mês