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Família pede reabertura das investigações de incêndio que matou professora em Rio das Ostras

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A família de Jamille Guilherme Suarhs, de 39 anos, pediu a reabertura das investigações do incêndio que resultou na morte da mulher, em Rio das Ostras. A professora foi retirada de casa com o corpo em chamas no dia 22 de agosto de 2021 e morreu no último dia 29 de janeiro, após cinco meses internada no Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo.

De acordo com a prima da vítima, Paola Guilherme, ela esteve com Jamille, acompanhou de perto todo o sofrimento e não se conforma como o caso não chegou nem a ser investigado por erros e omissão.

"Quando soube do que houve, saí do Rio, onde moro, e fui para Rio das Ostras para buscar as filhas da Jamille e ver como ela estava. Quando a vi no hospital, fiquei muito assustada. Ela tinha toda a parte superior queimada e estava muito mal", diz Paola, que conta ainda ter se deparado com o local completamente limpo e lavado, onde apenas o quarto da prima tinha sinais de incêndio.

Paola relata que vizinhos disseram que o pai de Emir Moura Teixeira, ex-companheiro de Jamille, tinha ido cedo ao local e feito a limpeza. "Eles também contaram que, no dia do incêndio, o Emir estava na casa, que ouviram gritos o dia todo e que, em dado momento, um grito chamou mais atenção de um vizinho. Ele foi ver e já encontrou a casa pegando fogo. Ele entrou, tirou minhas duas sobrinhas do quarto e voltou para pegar a Jamille que estava com parte do corpo em chamas. O Emir estava no local e não fez nada. Saiu com mãos e outras partes do corpo, da cintura pra baixo queimadas, nas nada como a minha prima", afirma.

O vizinho, ainda conforme a família da professora, deu o mesmo depoimento à polícia e, além disso, o Corpo de Bombeiros não registrou a ocorrência. "Um agente me falou reservadamente que no dia eles estavam com muitas ocorrências e não podiam esperar a polícia", conta Paola que, sem o registro, viu o caso ser tratado de outra forma na 128ª Delegacia de Polícia (128ª DP), onde foi registrado.

Na distrital, a prima de Jamille soube que o pai de Emir já havia passado por lá para também pegar o registro da ocorrência e esteve na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para onde a vítima havia sido encaminhada primeiramente. A família chegou a solicitar uma medida protetiva, que foi cumprida na época.

“A polícia teve boa vontade, foi ao local, tentou fazer perícia, mas já encontrou tudo limpo. Não havia o que atestar. Aí juntou com o atestado de acidente doméstico dos bombeiros e alegaram que não tinham base para oferecer uma denúncia”, diz.

O ex-companheiro também prestou depoimento, mas limitou-se em dizer que não se lembrava do que houve no dia do incêndio. Ele alegou que estava dormindo e, quando acordou, a ex-mulher já estava em chamas.

Paola questiona a forma de agir do homem: "será que não é estranho um homem passar o dia todo gritando em uma casa e sair só com as mãos queimadas e a minha prima daquele jeito? Minha prima ia precisar de enxerto nos braços, metade da cabeça dela não teria cabelo porque queimou, uma das orelhas derreteu. Não é estranho uma pessoa sair assim e a outra só chamuscada? Nem voltar para salvar as filhas, ele voltou. Se não fosse o vizinho, não sei o que teria acontecido".

Uma amiga da professora há mais de 20 anos disse que a polícia esteve no hospital e tentou colher depoimento de Jamille por meio de sinais com os olhos, já que ela estava com a garganta bastante queimada, mas não conseguiu nada substancioso que ajudasse nas investigações.

Já Paola diz que, após uma melhora no quadro de saúde, a prima conseguiu contar que Emir fez uma série de acusações, mas logo em seguida acabou dormindo. Depois, não se lembrava mais do que aconteceu, apenas de ter acordado com o corpo em chamas.

A 128ª DP, de acordo com a família, disse que registrou o caso como feminicídio, porém, a perícia realizada no local verificou que o incêndio foi causado por um carregador de celular e não há indícios que corroborem a tese de feminicídio. A investigação foi concluída e o procedimento encaminhado para o Ministério Público.

Paola também questiona a versão do carregador de celular, uma vez que as tomadas da casa estavam isoladas para uma pintura que estava sendo feita.

"O carregador estava levemente queimado, mas as tomadas estavam isoladas. Então onde esse carregador pegou fogo?", questiona mais uma vez.

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