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Corpo de vítima morta a tijoladas em Cabo Frio não era de travesti

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Uma reviravolta mudou o rumo das investigações do assassinato envolvendo uma suposta travesti no bairro Monte Alegre III, em Cabo Frio. O crime brutal aconteceu no último domingo (30), comovendo toda a comunidade e tomando proporção nacional.
A novidade é que o corpo encontrado com diversas marcas feitas por tijoladas não se trata de uma travesti. A informação foi dada por integrantes de movimentos LGBTI e do Centro de Cidadania LGBTI da Baixada Litorânea I e II, que estiveram no Instituto Médico Legal (IML) de Cabo Frio, buscando informações.

Um exame de papiloscopia – que identifica o corpo por meio de digitais nas mãos e pés – feito na unidade concluiu que o trata de um homem identificado como Valcilan Braga Correia. A informação de que a morte seria de uma travesti partiu de uma fonte inicial que esteve no local e de levantamentos com moradores do local. De acordo com o relato, os vizinhos ouviram uma voz afeminada gritando “pelo amor de Deus, me bate, mas não me mata” por volta de 10h do dia do crime.

Depois disso o corpo foi encontrado de bruços, vestindo uma blusa rosa e uma calça cinza. A posição da vítima não possibilitava uma identificação precisa. Muitos chegaram a suspeitar que uma pessoa conhecida na localidade como Pamela, a “Peppa”, seria a vítima. Essa informação se espalhou e por isso surgiu a informação de se tratar de uma travesti. Como o bairro é conhecido por ser um local perigoso e de ‘desova’, muitas informações são ocultadas por medo de represálias, o que também dificultou as investigações.
Três famílias chegaram a ir ao IML para reconhecer o corpo, mas ele só foi identificado depois da presença de representantes dos movimentos LGBTI.

Durante o reconhecimento foi possível constatar pela equipe, nenhum indício que corroborem para a identidade trans feminina da vítima, conforme exposto pela mídia anteriormente, mas não sendo possível confirmação da orientação sexual.
A equipe de legista do IML, por meio dos exames efetuados, foi possível o reconhecimento da vítima e dessa forma, decorrendo investigação e procura dos familiares. Portanto, devido ausência de confirmação de orientação sexual e ausência de identidade trans, o Centro de Cidadania LGBTI supõe não existir o crime de LGBTIfobia, deste modo, encerrando o acompanhamento do caso”.
Além das tijoladas, a vítima ainda foi alvejada por dois tiros disparados por arma de fogo. Ainda não há informações se eles foram efetuados no local da morte, visto que moradores escutaram os pedidos de socorro, conforme o relato de uma pessoa do entorno.

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