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Advogado de ‘braço direito’ de Glaidson Acácio é morto a tiros em Niterói

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O advogado e ex-policial civil Carlos Daniel Dias André, de 40 anos, foi assassinado na manhã desta terça-feira (31) em Piratininga, em Niterói. Ele atuava na defesa de Daniel Aleixo Guimarães, apontado como ‘braço direito’ de Glaidson Acácio dos Santos – o “Faraó dos Bitcoins” – e réu pela morte do investidor Wesley Pessano, em São Pedro da Aldeia.

Conforme a polícia, o crime aconteceu nas esquinas das avenidas Adolfo Bezerra de Menezes com a Conselheiro Paulo de Melo Kalle. Carlos Daniel e o filho estavam parado dentro de um carro no semáforo quando foram surpreendidos por um motociclista que passou e efetuou os disparos. O advogado perdeu o controle da direção e bateu na traseira de um outro automóvel.

Segundo o dono do veículo, ele estava parado no sinal pouco antes das 8h e ouviu o disparo. Em seguida, foi atingido pela Hillux na traseira e, para não colidir em um ônibus, desviou e bateu no poste, derrubando parte do sinal da via. Ele disse, ainda, que “desceu correndo para saber o que estava acontecendo e para tentar salvá-lo. Mas o filho disse que ele já estava morto”.

Agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) foram acionados para realizar a perícia no corpo. A Polícia Civil disse que o caso segue sob investigação e estão sendo realizadas diligências.

Conforme a Polícia Militar, agentes do 12º BPM de Niterói foram acionados para uma ocorrência de disparo de arma de fogo com vítima, após ser “abordada por dois criminosos em uma motocicleta, que atiraram”.

O corpo de Carlos Daniel foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) de Niterói.

Durante a perícia, foram arrecadas duas cápsulas deflagradas dentro do carro. A vítima foi atingida com por um tiro dado pelo lado do passageiro, que estava com o vidro do carro, que é blindado, aberto. A bala acertou Carlos no tórax e transfixou nas costas.

O filho do advogado e o motorista do outro automóvel estiveram a delegacia por volta das 12h e prestaram depoimento.

DE POLICIAL CIVIL PRESO A ADVOGADO

Carlos Daniel trabalhou como policial civil na 15ª DP da Gávea em 2002 e retornou em 2003, até 2007. Ele era referência quando o assunto era a comunidade da Rocinha e a quadrilha comandada por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, ex-chefe do tráfico da região, que segue preso.

Porém, em 2009, ele começou a levantar suspeitas dos colegas de farda, por ter aberto, em sociedade, um campo de paintball com um morador da Rocinha, que já havia sido preso por tráfico de drogas.

Em 2011, quando era inspetor da Polícia Civil, Carlos Daniel chegou a ser preso pela Polícia Federal por realizar a escolta de bandidos em fuga de uma comunidade.

 

Ele foi apontado como um dos responsáveis na retirada de Anderson Rosa Mendonça, então líder do tráfico do Morro de São Carlos, e de Sandro Luiz de Paula Amorim, na Rocinha, durante a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Carlos Daniel foi condenado a 12 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e favorecimento pessoal.

Ainda atrás das grades, o ex-policial se formou em Direito em 2015 e tirou o registro na Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ).

Em nota, a OAB-RJ afirmou que “Carlos Daniel Dias André foi condenado, cumpriu pena (de seis anos de prisão) e estudou Direito e se formou na prisão”.

Ainda de acordo com o órgão, ele prestou o Exame de Ordem e foi aprovado, “tudo isso depois de ter cumprido a pena. Ele já não devia mais nada à Justiça”.

DEFESA DE CRIMINOSOS

Como advogado, recentemente Carlos fazia a defesa de Daniel Aleixo Guimarães, que é um dos réus pela morte do investidor Wesley Pessano. O homem é apontado nas investigações como braço direito de Glaidson Acácio dos Santos.

Na última sexta-feira (27), o advogado conseguiu que Aleixo participasse de uma audiência virtual no processo no qual é acusado pelo homicídio ocorrido em São Pedro da Aldeia. Outra audiência estava marcada para o dia 10 de junho.

Além desse caso, o advogado também defendia Isadora Alkimin Vieira, filha do cantor Belo, que foi presa em novembro de 2020, envolvida em uma quadrilha que praticava golpes eletrônicos. Quando o cantor havia sido preso, em 2004, por associação para o tráfico de drogas, Daniel também fez parte da defesa.

Na cartela de clientes do advogado estão, ainda, o policial civil Jorge Luiz Camillo Alvez, preso em 2020, durante a Operação Intocáveis II, acusado de envolvimento com a milícia. Ele era braço direito da então titular da 16ª DP da Barra de Tijuca, Adriana Belém.

Em 2017, Carlos Eduardo advogou para Haylton Carlos Gomes Escafura, filho do bicheiro Piruinha.

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