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Caso Araceli completa 43 anos e municípios comemoram Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual contra Crianças e Adolescentes

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Flávia Martins

Maio de 1973. Araceli Sánchez Crespo, uma menina de 8 anos, nunca retornou a casa após um dia de colégio. Em frente à escola Paulo Helal, o “Tio Paulinho”, a esperava para levá-la para casa. A menina foi sequestrada, violentada e assassinada no Espírito Santo.

De acordo com relatos, Paulo Constanteen Helal e Dante Michelini teriam sequestrado e mantido a criança em cárcere privado por dois dias, no porão e no terraço de um bar. Os dois, sob efeito de entorpecentes, teriam lacerado a dentadas partes do corpo da menina. Ainda de acordo com relatos, ela foi levada agonizante ao Hospital Infantil, mas não resistiu. Mesmo assim, os suspeitos ainda permaneceram com o corpo, mantiveram-no sob refrigeração e jogaram um ácido corrosivo para dificultar a identificação da menina Araceli. Em seguida, jogaram os restos da menina num terreno aos fundos do mesmo hospital. O corpo apareceu seis dias depois e os seus agressores, jovens de classe média alta, nunca foram responsabilizados.

Nesta quarta-feira, dia 18, o caso completa 43 anos, mas ninguém foi punido pelo crime. Após a prisão, julgamento e absolvição dos acusados, o processo foi arquivado pela Justiça. Em memória à menina Araceli, uma das mais emblemáticas vítimas de violência contra a criança no país, o dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com a aprovação da Lei Federal 9.970/2000.
Todos os anos, nesta data, a impunidade sobre a morte de Araceli é lembrada e diversas atividades para discutir o tema são realizadas no Brasil.

Cabo Frio, na Região dos Lagos, por exemplo, receberá a ação “Todos contra o abuso infantil” na Praça Porto Rocha, das 9h às 17h. A ideia é orientar a população sobre violência sexual contra criança e adolescente e trabalho infantil.

A mobilização vai contar com apresentações teatrais ligadas ao tema, estátua viva, panfletagem e cartazes explicativos sobre o assunto. Uma equipe com cerca de 40 pessoas, entre elas Psicóloga, Assistentes Sociais farão atendimento para tirar as dúvidas da população. O evento é coordenado pelo Conselho Tutelar e tem apoio da Prefeitura de Cabo Frio.

Segundo o Conselheiro Tutelar, João Paulo Quintes, o evento tem expectativa de público de 800 pessoas ao longo do dia. “Convidamos toda a população para vir ao evento, tirar dúvidas e entender o que é o abuso infantil, assim conseguir identificar e quando necessário realizar a denúncia", explicou.

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes tem como objetivo mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Já em Búzios, às 14h, no Abrigo Municipal, acontecerá a Campanha Faça Bonito (Campanha de Combate a Exploração Sexual da Criança e do Adolescente). O evento vai ter desfile de moda feito com material reciclado por crianças do CRAS e Abrigo; e apresentação de dança da APAE.

E em Macaé, será com a realizado o 1º Seminário Sobre Violência: Avanços e Desafios para a Construção da Política de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. A
programação é da Área Técnica de Vigilância e Prevenção de Violências e
Acidentes, da prefeitura.

O evento, que acontece no Paço Municipal, das 9h às 17h, visa avançar na construção de políticas públicas, segundo informou a psicóloga Maria Lusia Sarubi de Mello, responsável pelo seminário.

“Vamos falar sobre os avanços que já temos na área e o que ainda falta alcançar, após termos realizado um fórum com esse recorte. Entre os avanços estão a qualificação dos dados, a capacitação de rede temática, construção de fluxograma. De 2013 para cá, aumentou o número de notificações de casos. Moramos em uma área de exploração de petróleo, o que torna Macaé propensa a esse tipo de violência - explicou Maria Lusia, que é coordenadora da Área Técnica”, explicou.

Lusia ressaltou que os casos são notificados pela rede do SUS. "É algo delicado. Geralmente, quando há identificação de casos de violência em alguma unidade de saúde do SUS, aí é que são notificados. Vamos ter um tempo no seminário para falar sobre a não notificação, essa questão de se manter camuflado. A partir desse levantamento de dados, podemos conseguir
estratégias", afirmou.

O Seminário será realizado em parceria com o Centro de Referência da Assistência Social (CREAS), Conselho Tutelar, HPM, CRA, Núcleo de Saúde Mental, IML. Casos de abuso e violência sexual de crianças e adolescentes podem ser denunciados através do Disque-Denúncia Nacional, o Disque 100. O anonimato é garantido.

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