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Decisão do BACEN de aumentar taxa de juros é criticada por economistas e entidades ligadas à indústria

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A decisão do Banco Central (BACEN) de aumentar a taxa Selic em 1%, chegando a 12,75% ao ano, com objetivo de conter a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação, foi duramente criticada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) e por economistas.

A medida foi anunciada nesta quarta-feira, 4, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do BACEN, sobre a taxa básica de juros da economia brasileira, e deve causar, segundo especialistas, outros aumentos de juros, o que, para uma população que tem maioria devedora, deve provocar efeitos negativos na economia.

“A Firjan considera que, apesar de esperado, o décimo aumento consecutivo da taxa Selic, em 1%, é ineficiente e pouco efetivo no controle do nível de preços neste momento. A atividade econômica já tem sentido os efeitos do início do ciclo de alta da taxa de juros, contudo a inflação não tem dado sinais de abrandamento. A desorganização das cadeias de produção, provocada pela pandemia de Covid-19 (sigla, em inglês, para Coronavirus Disease 2019), e os impactos derivados da guerra na Ucrânia, reforçam que a inflação advém de choques externos e temporários de oferta, e não de demanda. A nova alta de juros penaliza ainda mais o nível de atividade e reforça a perspectiva de desaceleração econômica em 2022”, analisa a Firjan.

Atualmente a inflação está em 11,3% nos últimos 12 meses e o aumento da taxa Selic elevou a taxa de juros ao seu maior percentual desde janeiro de 2017, quando marcava 13%, no início do governo Michel Temer (MDB-SP), após o golpe que provocou o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT-RS), em agosto de 2016.

Ouvida pelo portal O Tempo, a economista Maria Lúcia Fattorelli, a decisão do Copom do BACEN é um abuso contra a população, já que a atual inflação, segundo ela, não será impactada pelo aumento da taxa de juros.

““Esse aumento da Selic é um verdadeiro abuso contra a sociedade brasileira. A inflação brasileira é fabricada pelo Preço de Paridade de Importação (PPI) aplicado pela Petrobras. É como se nós estivéssemos importando 100% dos combustíveis que usamos aqui, só que a gente importa uma coisa mínima”, defende a economista.

Para a Firjan, a atual inflação é proveniente de choques externos e temporários de oferta, e não de demanda, reforçando que a atividade econômica já sente os efeitos do ciclo de alta da taxa de juros.

Já a economista ouvida por O Tempo, justifica que o grupo de transportes é o principal responsável pela inflação acumulada calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o IPCA desse setor de 17,37% em 12 meses, puxado pelos combustíveis, que têm alta de 27,89%.

Na reportagem, Maria Lúcia Fattorelli sustenta que a política de preços da Petrobras, adotada desde o governo Temer e mantida no governo Jair Bolsonaro (PL-RJ), visa assegurar lucros exorbitantes dos acionistas da estatal, que tiveram 101 bilhões de reais de remuneração em 2021.

Ao portal UOL Economia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também considerou “equivocada” a decisão do Copom sobre a taxa Selic, entendendo que a taxa anterior já era suficiente para garantir uma trajetória de queda da inflação nos próximos meses, sob o argumento de que a alta leva tempo para restringir a atividade e, consequentemente, segurar a alta dos preços.

“Este novo aumento da taxa de juros deve comprometer ainda mais a atividade econômica, que já dá claros sinais de fraqueza. Para a indústria, a intensificação do ritmo de aperto da política monetária piora as expectativas para o crescimento econômico em 2022, com efeitos adversos sobre a produção, o consumo e o emprego”, disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, em nota divulgada pela entidade.

Entre as consequências da alta dos juros estão, o aumento das taxas bancárias, que devem ser repassadas aos clientes; influência negativa no consumo da população e em investimentos produtivos, o que deve impactar o Produto Interno Bruto (PIB); despesas adicionais com juros da dívida pública; aumento da renda de aplicações em renda fixa, como o Tesouro Direto, entre outros.

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