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Escritor e antropólogo lança livro "O Andarilho" em Macaé dia 06 de novembro

Daniela Bairros

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Daniela Bairros

O escritor e antropólogo Paulo Emídio Azevedo lança em Macaé, no próximo dia 06 de novembro (quarta-feira), na Livraria Nobel, o livro "O Andarilho" ou "El caminante" (Ed. Philos). A obra possui 160 páginas e é bilíngue (português e espanhol). Este será o 16º livro do escritor.
Traduzido para espanhol pela professora e poeta Carola Cardona e prefaciado pelo jornalista e escritor Marcelo Moutinho, "O Andarilho" traz 43 crônicas ao público sobre "o caminhar e a utopia" em se reler a cidade e os encontros, como bem ressalta o autor.

Macaé é trazida na narrativa em diversas partes do livro com mesclas de humor, aventura e drama. Para o autor, é uma experiência estética e pode se dizer sensacional. "As palavras têm o dom de produzir conversações no tempo e no espaço, a recriar novos espaços e outros tempos".

O lançamento da obra terá três convidados do autor. O poeta Max Medeiros, a atriz Thais Queiros e a bailarina Yasmin Joanes recitarão trechos da obra e convidarão os presentes para a noite de autógrafos.

Mais sobre o livro

Segundo o autor, o "Andarilho" é um desafio duplo. Primeiramente, no âmbito da personagem principal que semeia e atravessa a cidade vestindo e se despindo de diferentes modas e modos para abrigar uma multiplicidade de aproximações, uma criança, o próprio autor, cada ser humano sozinho nas multidões, tantas pessoas sem pares do outro lado da rua e, em segundo lugar, pela diversidade nos temas e combustíveis deste material.

A forma para escrever o livro foi propor a narrativa em quatro partes. “Das crianças e os tantos pais”, “Das carências e solidões”, “Dos encontros por aí” e “Das tantas outras vidas”, mais um epílogo intitulado “Três atos de perplexidade”. Na primeira parte, álbuns com ou sem molduras entre filhos e pais e a presença do autor como articulador, observador, protagonista e ou mobilizador do jogo das tensões recorrentes. Na segunda parte, vê-se o abrigo de uma aderência com o intuito de tratar tais ingredientes, com menos apego e mais provocação. Na penúltima parte, a urbe aparece como cenário e enredo; é nela, através dela e com ela que os esbarrões e diálogos se estruturam e se surpreendem. Na parte final, tal desafio chega ao seu ápice conforme polissemia e hibridismo de palavras se justapondo e conversando entre ruídos e silêncios. O epílogo quando se fez necessário foi para deixar um rabisco ou garatuja tomar conta do corpo , um corpo cheio de tintas. Talvez colorindo mais esse mundo fosse possível dar a mão para se atravessar a rua. Mas não deu tempo, o sinal ainda estava vermelho.

Todo o trabalho publicado por Paulo Emílio Azevedo está integrado à Fundação Paz e na plataforma virtual (www.fundacaopaz.com), criada para exposição da obra.

Sobre o autor

Paulo Emídio Azevedo é professor, pós doutor em Políticas Sociais e Doutor em Ciências Sociais, com especialização em Antropologia do Corpo e Cartografia de Palavra. Escritor, criador no campo das artes cênicas e consultor na área de Educação e Cultura, cuja pesquisa tem por objetivo refletir sobre outras formas de comunicação aos diversos protagonismos e redes de sociabilidade na sociedade contemporânea. Seu trabalho aparece bem ilustrado pelo processo criativo, conceitual e de gestão. Tal experiência destaca a capacidade de unir teoria e prática como lugares de conversação, cabendo sublinhar as ações que desdobram no espaço urbano, na capacitação de estudantes e educadores e na formação de intérpretes e atores. Profissional preocupado em valorizar o “belo” em suas múltiplas formas.

Paulo Emídio foi contemplado por diversos prêmios através de suas metodologias e realizações, entre eles se destacam o “Rumos Educação, Cultura e Arte” no âmbito do Instituto Itaú Cultural (2008-10), o “Klauss Vianna” pela FUNARTE (2010) e o “Nada sobre nós sem nós” através da Escola Brasil/MINC (2011-12), entre tantos outros como o Prêmio Nacional de Desafio Literário “Olaria das Letras” (2015) e dos projetos “Tagarela” (Multilinguagens) em 2013; “Palavra Projétil” (2º Turno) em 2016 e “Biblioteca de Griots” (Fomento Olímpico) também em 2016, sendo todos os três através da Secretaria de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro. Idealizador do projeto “KrumpvsKrump”.

Recebeu homenagens e representou o país em importantes eventos, dentre eles na Plataforma “Standpunkt-e – welcome to my world”, em Munich/Alemanha (2015); no filme “Histórias de quem faz história” produzido pelas Faculdades Salesianas, em Macaé/RJ (2011) e no Encontro “Centro e Periferia: a produção da dança contemporânea hoje”, realizado na cidade de Oslo/Noruega (2008). Atuou em diversos países como artista e conferencista destacando sua participação na coordenação do projeto “Micropolíticas do corpo” (Territoire de la Danse, França, 2011), “Membros: corps politique dan(s)e la ville” no Master Projets Culturels dans l’Espace Public, de l’université Paris 1 Panthéon-Sorbonne (França, 2010) e Festival Europalia (Bélgica Brasil, 2011); Seminário "INARTE" (2013 e 2010) realizado no Teatro São Luís em Lisboa (Portugal); no projeto "Teatralidade do Humano" (2010) realizado no Instituto Oi Futuro, "I Fórum de Dança para Infância e Juventude” em Porto Alegre (2014), “Circuito Literário da Praça da Liberdade” em Belo Horizonte (2014), Projeto “Breu” no SESC Rio Preto em São José do Rio Preto/SP (2015) e “Verdanzar” em Montevidéu e Maldonado (2015). Foi um dos autores convidados pela FLIP, Paraty/RJ (2016), Paixão de Ler, Rio/RJ (2014) e Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes, Campos/RJ (2016/18). Em 2017 participou do Printemps Littéraire Brésilien (Sorbonne Université/França e Faculdade Clássica/Portugal) e em 2018 da Journée d’Etudes Cultures, arts et littératures périphériques dans les Amériques: une approche transnationale de la production, la circulation et la réception em Lyon (França).

É autor de mais de 500 escritos, incluindo contos, poemas, ensaios e crônicas, ainda assim assinando dezenas de criações no campo das artes cênicas, também com contribuições na fotografia, audiovisual, performance, música e artigos científicos. São ao todo dezessete livros escritos, sendo dezesseis já publicados, os quais merecem maior atenção “Meninos que não criam permanecem no CRIAM: histórias de adolescentes em conflito com a lei” (2008); “Palavra Projétil” (2013); “Notas sobre outros corpos possíveis” (2014) com o qual foi finalista no Prêmio Rio Literário, “Depois dos vinte, prometo escrever o romance e me chamar Machado de Azevedo” (2017); “Um corpo e uma voz: a cidade como obra de arte” (2018) e “O andarilho” (2019).
Fundou e coordenou o Polo de Artes da Cidade Universitária ETarTE e é um dos introdutores no Estado do Rio de Janeiro do poetry slam tendo idealizado o sarau TAGARELA (o maior slam do mundo) – sobre o Tagarela é relevante situar que o mesmo virou filme (inspirado na obra do autor) e recebeu três prêmios internacionais. Integra os coletivos Le FUCOH e Abecedá (música inteligente para criança). Quanto ao processo criativo seu trabalho se desdobra na Rede Cia Gente, na qual observa quatro conceitos - aquilo que denominou de 4D: desequilíbrio, desobediência, desconstrução e deformação - e duas linhas estéticas: "estética do desequilíbrio" e "a cidade como obra de arte". Mentor da Fundação PAz, orientada a promover toda a sua produção teórica. Pai de Hiago, sua obra-prima.

Livros publicados

“O Andarilho”, 2019 (port/es)
“Quarenta e três ou quatro formas de nascer”, 2019
“O açougue cênico e a desobediência dos corpos ruínas na Capital Nacional do Petróleo”, 2018
“Um corpo e uma voz: a cidade como obra de arte”, 2018 (port/fr)
“Depois do silêncio, uma obra prima de amor ou ódio”, 2018
“Versos sem fim”, 2018
“Depois dos vinte, prometo escrever o romance e me chamar Machado de Azevedo”, 2017
“O amor não nasce em muros”, 2016
”Ensaios de um poeta só”, 2015
“Notas sobre outros corpos possíveis”, 2014
“Tagarela, o penúltimo registro do slam poetry no Brasil”, 2014 (org.)
“Palavra projétil, poesias além da escrita”, 2013
“Membros, a história de um corpo político que dança”, 2009 (org.)
"Meninos que não criam permanecem no C.R.I.A.M.”, 2008 (port/fr)
“A descoberta de talentos nas escolas municipais de Macaé”, 2002
“Dança de rua contando histórias”, 2000

Crédito: Dominik Fricker e Filipe Itagiba

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