Mídias Sociais

Covid-19

Médico e integrante do GT de Enfrentamento à Covid-19 da UFRJ Macaé afirma que hidroxicloroquina, cloroquina e azitromicina não devem ser usados em pacientes com coronavirus

Daniela Bairros

Publicado

em

 

Daniela Bairros

Nos últimos dias, temos acompanhado o debate em torno do uso de medicamentos em pacientes infectados com o novo coronavirus. Os remédios, como já alertaram várias autoridades da área da saúde, não possuem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19. A mesma constatação é apontada pelo médico pneumologista e integrante do GT (Grupo de Trabalho) de Enfrentamento à Covid-19 da UFRJ Macaé, Gleison Guimarães. Segundo ele, a hidroxicloroquina, cloroquina e azitromicina, não devem ser usados em pacientes com o vírus. Para o médico, a
discussão, que deveria pertencer a ciência de embasamento em evidências de pesquisa está politizada. " Há uma pressão da mídia e de uma enorme quantidade de pessoas para usar ou não usar uma droga que não mostrou eficácia alguma até agora.
Sei que é angustiante o que estamos vivendo, mas precisamos deixar as discussões científicas e os apelos para um corpo técnico enorme que existe no Brasil e no mundo", ressaltou.
Guimarães explicou que no último dia 18 de maio foi publicado um trabalho realizado por um grupo de 27 especialistas e metodologistas que integraram uma força tarefa formada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, pela Sociedade Brasileira de Infectologia e pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, por meio de de um documento para fornecer recomendações baseadas nas evidências científicas disponíveis  e em sua interpretação transparente, para subsidiar decisões sobre o tratamento farmacológico da COVID-19 no Brasil.
" Foram realizadas revisões sistemáticas rápidas, atualizadas até 28 de abril de 2020.  A qualidade das evidências e a elaboração das recomendações seguiu o GRADE. Foram geradas 11 recomendações, embasadas em evidência de nível baixo ou muito baixo. Não há indicação de uso de rotina de hidroxicloroquina, cloroquina, azitromicina,  lopinavir/ritonavir, corticosteroides ou tocilizumabe no tratamento da COVID-19.
Deve ser utilizada heparina em doses profiláticas no paciente hospitalizado, mas não deve ser realizada anticoagulação na ausência de indicação clínica específica. Antibacterianos e oseltamivir devem ser considerados somente nos pacientes em suspeita de coinfecção bacteriana ou por influenza respectivamente", detalhou o médico e integrante do GT de Enfrentamento da Covid-19.
Ainda segundo o especialista, até o momento, não há intervenções farmacológicas com efetividade e segurança comprovada que justifique o uso de rotina no tratamento da COVID-19, devendo os pacientes serem tratados preferencialmente no contexto de pesquisa clínica. "As recomendações serão revisadas continuamente de forma a capturar novas evidências. Então, para ficar claro do ponto de vista científico, as recomendações seriam não utilizar hidroxicloroquina ou cloroquina de rotina no tratamento da COVID-19 e nem combinação de hidroxicloroquina ou cloroquina e azitromicina (recomendação fraca,
nível de evidência baixo)
não utilizar o Kaletra
lopinavir/ritonavir de rotina no tratamento da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência baixo). Não utilizar corticosteroides de rotina em pacientes com COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo), não utilizar tocilizumabe que é um biológico de rotina no tratamento da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo). A recomendação é utilizar profilaxia para tromboembolismo venoso de rotina em pacientes hospitalizados
com COVID-19 (recomendação forte, nível de evidência muito baixo). Mas não utilizar heparina em dose terapêutica de rotinano tratamento da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo). Tem que avaliar caso a caso. Fatores de coagulação, principalmente dimero d.
E não utilizar antibacterianos profilático em pacientes com suspeita ou diagnóstico da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo). Mas usar sim antibacterianos em pacientes com COVID- 19, com suspeita de coinfecção bacteriana (recomendação não graduada).  Existem outras promessas de medicamentos que ainda estão em estudos como o rendesivir
Que tem estudo publicado no último dia 22 de maio com resultados interessantes", concluiu Guimarães.

Crédito: Divulgação

Mais lidas da semana