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Novo Mercado de Peixes de Macaé se consolida como uma referência da cidade

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Continuando a série de reportagens especiais sobre as modificações que Macaé sofreu ao longo dos últimos 3 anos, desde que se iniciou o governo do Prefeito Aluízio, em 1 de janeiro de 2013, o Diário da Costa do Sol segue atrás de comprovar se as mudanças prometidas durante a campanha realmente aconteceram.

Sonho antigo do Prefeito Aluízio, a revitalização dos espaços públicos da cidade começou a sair do papel com apenas 23 dias de governo, quando em 23 de janeiro de 2013, a Secretaria de Obras Públicas deu início às obras no Mercado de Peixes.

Espaço tradicional na cidade e que estava abandonado, o mercado foi visto pelo recém eleito governo como um ponto de partida para essa revitalização, um retorno às origens da cidade, que acabaram perdidas em meio ao concreto e ao petróleo que tomaram o município no fim da década de 70, com a chegada da Petrobras.

Ex-Vice-Presidente de Acervo e Patrimônio Histórico da Fundação Macaé de Cultura, e atual Subsecretária Adjunta de Gestão Estratégica, Gisele Muniz resumia muito bem essa inquietação do governo com as mudanças sofridas pela cidade.

“Eu acho que a cidade precisa ter um espaço de coletividade. A gente precisa ter uma história em comum, um ponto comum para a gente começar junto. A gente está vivendo um momento muito sério da nossa história, da nossa política, da nossa economia. A gente anda muito individual. Daí eu acreditar que a cidade precisa produzir espaços mais comuns. A cidade tem que produzir isso. Por nós”, contou Gisele, em entrevista concedida ao Diário da Costa do Sol, em julho de 2015.

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Além de se tornar referência para a comunidade acadêmica, o novo Mercado Municipal de Peixes abriu portas para o crescimento econômico da cidade (Foto: Tadeu Mouzer)

 

Referências – Um desses pontos em comum pode ser resumido em uma palavra. Referências. Era isso que o Governo Aluízio buscava recuperar. Não apenas um prédio, mas uma referência de uma geração e de uma cidade que estava, aos poucos, se deteriorando no tempo e na gestão descuidada de governos anteriores.

Para resgatar o mercado, primeiramente o governo começou uma reforma provisória do antigo espaço, ao lado do novo prédio. As obras iniciadas ainda em janeiro de 2013 previam a construção de 61 bancas de venda provisória e contava com 70 trabalhadores. Inaugurado em agosto daquele ano, o espaço provisório era a primeiras de muitas melhorias para o mercado, que estava abandonado há mais de 20 anos.

Quase um ano depois, em 22 de janeiro de 2014, a prefeitura apresentou o projeto do novo prédio, já que o antigo havia sido demolido em setembro do ano anterior. E em 13 de janeiro de 2015, já se podia vislumbrar a beleza do prédio que se tornaria o ponto de encontro para pescadores, comerciantes de pescado e a população da cidade.

Inauguração – Em 28 de julho de 2015, um domingo nublado, foi finalmente entregue o primeiro dos três prédios do novo Mercado Municipal de Peixes. Parte da celebração da festa que homenageia o santo padroeiro dos pescadores, o novo mercado foi entregue à população com toda a pompa e circunstância, com a presença de autoridades municipais, estaduais e da população, que lotou o entorno do mercado.

Além dos 44 boxes com superfícies para balanças em granito, pias e bancadas de alumínio, diversas tomadas para os equipamentos, e uma área exclusiva para os comerciantes realizarem a limpeza mais bruta do peixe, o prédio contava também com banheiros femininos, dois vestiários para os trabalhadores, copas para que os vendedores possam se alimentar e salas administrativas.

Uma grande melhoria, como contou na época o administrador do mercado, Carlos Alberto da Silva, o Betão, ansioso com a reação da população ao ver o novo espaço. Novo e muito melhor, conforme Betão.

“O pescado não vai mais transitar pelo meio das pessoas. Aquilo era muito feio. Agora não vai ser mais assim, vai ser mais limpo, mais agradável para os comerciantes e para a população também”, Revelou Betão, que acompanhou toda a obra juntamente com o Prefeito Aluizio.

Mas a maior novidade do mercado não estava na construção e sim na administração. Isso porque além de inaugurar um novo e belíssimo prédio, a prefeitura fez mudanças também no funcionamento do mercado, adicionando à estrutura do mesmo um controle de qualidade, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“A gente vai ter uma pessoa, uma veterinária que Dr. Aluizio colocou, a Mariana Previtali, que vai trabalhar como gerente de qualidade para que os peixes que vão para as bancas, sejam de qualidade, e que não vá aquele peixe cansado. Ela vai trabalhar com termômetro, com todos os equipamentos para garantir que o peixe que vá para o mercado seja um peixe de qualidade, que as pessoas possam levar para casa sem problema nenhum”, contou à época a Subsecretária de Pesca, Rizete Ribeiro.

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Em 28 de julho de 2015 foi entregue o primeiro dos três prédios do novo Mercado Municipal de Peixes (Foto: Tadeu Mouzer)

Antes e Depois – O resgate das tais referências começou a fazer diferença na vida da população rapidamente. Para Ricardo Barros, que há 22 anos trabalha com a venda do pescado no município, o novo local de trabalho serviu como incentivo.

“Ficou muito bonito isso aqui. A gente estava precisando. É outra coisa vir trabalhar num lugar assim. Tem gente que brinca dizendo que devia ter baixado o preço porque é inauguração, e tem gente que diz que tinha que aumentar por causa da beleza do lugar, mas o preço não mudou nada”, brincou Ricardo, na semana de abertura do mercado, em julho do ano passado.

7.1 Mercado de peixe COMPARATIVO (ANTES) -Robson César 7.1 Mercado de peixe COMPARATIVO (DEPOIS) - Tadeu Mouzer

Mercado de peixes antes e depois da revitalização (Fotos: Robson César [esquerda] Tadeu Mouzer [Direita])

 

Nove meses depois, o novo Mercado Municipal de Peixes já passava a ser uma referência que ia muito além daquela citada por Gisele. Em março deste ano, o local recebeu a visita técnica de alunos do curso de nutrição da UFRJ – Campus Macaé, que ficaram impressionados com o controle de qualidade dos produtos vendidos.

“Considero este mercado como uma 'boutique do peixe', pois é muito organizado e limpo. Sou suspeita para falar, pois o pescado é o segmento com que mais me identifico, então, essa visita está sendo muito válida. A higiene, os preços acessíveis que atendem todo o público, são ótimos”, avaliou a aluna Monique Telefe, que morava em Campos e se mudou para Macaé quando passou no vestibular.

Para Lucas Emmerick, que veio de Nova Friburgo para estudar e morar em Macaé, a diferença do antigo Mercado de Peixes para o novo espaço, a diferença de infraestrutura é muito grande, elogiando o controle de qualidade.

“No começo da faculdade, visitamos o antigo local do Mercado de Peixes e, hoje, acho incrível a nova infraestrutura, principalmente a organização e o controle de qualidade feito por uma profissional. Conhecemos desde a recepção quando o peixe chega ao mercado, até aos processos de limpeza e comercialização”, contou o aluno.

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O Polo Gastronômico Macahé Antiga realizou o 1º Festival Gastronômico de Frutos do Mar, em abril deste ano (Foto: Tadeu Mouzer)

Outras Referências – Além de se tornar referência para a comunidade acadêmica, o novo Mercado Municipal de Peixes abriu portas para o crescimento econômico da cidade. Foi pensando nisso e em resgatar essa história que o Polo Gastronômico Macahé Antiga realizou o 1º Festival Gastronômico de Frutos do Mar, em abril deste ano.

Dez restaurantes participaram da programação que transformou o mercado em uma mistura de praça, restaurante a céu aberto e comércio, revitalizando o significado da palavra mercado, que em sua origem, era uma reunião exatamente desses espaços. - O “Mercado de Peixes é um orgulho da cidade. Um ambiente valorizado ainda mais com a nova obra. Esperamos resgatar a essência dessa atividade econômica do município, unindo a isso uma boa gastronomia”, comentou a Presidente do Polo, Isabela Catharino, durante a abertura do evento.

Em 2015, no ano da inauguração do mercado, a produção de pescado atingiu a marca de 720 toneladas. Segundo a Secretaria de Gestão Estratégica, por meio do Programa Metas e Resultados, a produção cresceu 20% em relação ao mesmo período de 2014. Ainda de acordo com os dados da secretaria, 15 mil pessoas estavam vinculadas ao setor econômico da pesca, o que representa quase 15% da população economicamente ativa no município.

A inauguração do novo Mercado Municipal de Peixes foi representada como uma das ‘boas práticas’ do município, segundo informações do Programa Cidades Sustentáveis, que apontou Macaé como a segunda melhor cidade do país na inserção de boas práticas, com a apresentação de 47 delas.
Em média são 600 pessoas por dia durante a semana frequentando o mercado. Conforme o comerciante Jorge Rangel comentou em abril deste ano, o novo espaço proporciona conforto para os consumidores.

“As pessoas que frequentam o mercado estão elogiando bastante. No último final de semana, por exemplo, foi promovido o Festival de Frutos do Mar na frente do espaço, que foi totalmente remodelado. A iniciativa estimula o consumo de peixe e, ainda, oferece outra opção de lazer para nossa cidade”, elogiou Jorge.
E não é apenas no comércio do pescado que o mercado faz bem para a economia da cidade. Na Associação Macaense de Culinária e Artesanato com Peixe Peruá, localizada na Barra, 14 mulheres fabricam espelhos, joias e arranjos. E não pretendem parar por aí.

“Estamos nos preparando agora para confeccionarmos vestuários com escamas de peixes. A pesca é uma atividade que distribui renda para várias áreas. Meu marido é pescador e trabalho com escamas há 20 anos”, revela e artesã Ângela Maria Coutinho.
Desde 2013, Macaé aderiu ao Programa Cidades Sustentáveis, que tem como objetivo sensibilizar, mobilizar e oferecer ferramentas para que as cidades brasileiras se desenvolvam de forma econômica, social e ambientalmente sustentável. Com o trabalho realizado ao longo desses três anos, o município já figura como segundo município do Brasil na inserção de ‘boas práticas’. O Programa Cidades Sustentáveis tem abrangência internacional e é realizado pelo Instituo Ethos, Rede Nossa São Paulo, e Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis.
“A Prefeitura de Macaé se comprometeu a atingir índices que possam tornar a cidade mais sustentável, possibilitando a gestão de projetos de forma eficiente e transparente, ao pactuar com o Programa Cidades Sustentáveis o compromisso de desenvolver 100 indicadores básicos de desempenho”, informou a administração municipal.

Aos poucos, o novo Mercado Municipal de Peixes vai cumprindo seu papel de ser aquela referência. Mas não apenas uma referência histórica de um passado romântico que andava meio esquecido, mas também uma referência econômica e turística, que mistura num único espaço público, o passado da pesca com o futuro industrializado de uma cidade, que precisava se reintegrar com sua população. E mais ainda, fazê-la se reconhecer nesta cidade e se orgulhar desta cidade.

“Macaé é muito mais do que isso. Você convive e se relaciona com pessoas do mundo todo, do Brasil todo. Com culturas de todo o mundo e de todo o Brasil. Isso é muito bom, mas tem a parte em que a gente estava carente, que é a de nos reconhecermos nessa cidade. Ou fazer as pessoas entenderem o que é essa cidade. Quais são as nossas referências. E é esse resgate que a gente está tentando. É saudosismo? Não. Porque a gente precisa, primeiro, que a gente valorize a nossa cidade. Só aí que, a gente com a autoestima elevada, vai ensinar a quem é de fora, a também valorizar a nossa cidade. Existem alguns conceitos que a gente têm se empenhado em resgatar que eles são e serão determinantes para a construção do futuro de Macaé. Conceituar Macaé como uma cidade onde a sua população tenha orgulho de morar aqui”, lembrou o ex-Secretário de Desenvolvimento Econômico, Tecnológico e Turismo, Vandré Guimarães, em entrevista ao Diário da Costa do Sol, em julho de 2015.

 

Tunan Teixeira 

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