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Caderno D

Em Macaé, blocos carnavalescos vão homenagear Benedicto Lacerda

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Na maior festa popular do Brasil, blocos vão tomar as ruas da cidade para relembrar a trajetória de uma das figuras mais importantes de Macaé.

O carnaval macaense vai homenagear um das importantes figuras da cidade, Benedicto Lacerda. Na programação da folia, os blocos vão tomar as ruas da cidade. Entre os dias 09 e 13 de fevereiro, Macaé vai reviver grandes momentos. Dias antes, um concurso de marchinhas será realizado na Casa Cultural Rinha das Artes. No dia 09 de fevereiro, o Bloco Quero te Encontrar, vai sair às ruas, com o principal objetivo de promover o encontro de foliões. Na programação está: Banda Carnalhas, que vai se apresentar todos os dias, com muita marchinha, Bloco do Chaplin’s (Flávia Duboc), Bloco Galo da Meia Noite (Amanda Amado), Bloco Quero te Encontrar, cuja ideia surgiu juntamente com o resgate do carnaval de rua e reforçando a expressão “a gente se encontra nas ruas de Macaé”, Bloco dos Pentelhinhos (infantil).

Bloco Chaplin’s Bar

O Chaplin’s Bar foi uma casa de shows que  nasceu do sonho de criar um espaço de lazer e cultura para a sociedade macaense. Este sonho começou a ser construído no ano de 1984, na Rua Silva Jardim, centro da cidade, através da ousadia e determinação de um macaense apaixonado pela música, conhecido como Samuel Marques. (in memoriam).

Foi o “Boom” na época, da música ao vivo em bares, motivo pelo qual o espaço  se firmou pela qualidade da música , do som e suas instalações. Uma casa velha que começou com andar térreo e mesas de ferro emprestadas se transformou num espaço a altura de um público amante da boa música; um público eclético e seleto.

A casa de shows Chaplin’s cresceu, porque atendeu as expectativas do público e dos músicos que foram se identificando coma proposta da casa, como espaço alternativo cultural, já que alguns músicos mantinham certa resistência em se apresentar em bares. O público da casa ganhou prestígio entre grandes nomes da música como Nana Caymmi e Eduardo Dussek, de platéia exigente e muito calorosa, pois aplaudiam de pé as apresentações merecidas.

O Bar ficou conhecido na sociedade macaense e passou a fazer parte do circuito cultural carioca, merecendo destaque na Revista de Domingo do Jornal do Brasil de 12 de fevereiro de 1995. Não mais uma casa velha, mas o Chaplin’s Bar ganhou mesas de madeira com cadeiras acolchoadas, ar condicionado, som importado, estrutura de dois andares com palco suspenso bem próximo ao público, que dava a sensação de aconchego e proximidade com o artista.

Através de muito trabalho e desempenho principalmente, para conquistar os patrocinadores, Samuel e seus discípulos, tornaram o Chaplin’s um espaço ativo e sólido que existiu até o ano 2000. Grandes nomes da música passaram por lá, como Léo Gandelman que em 1991 fez três apresentações lançando dois discos “Solar” e “Visões”;Ivan Lins comemorando 20 anos de carreira com o baterista Alfredo Dias Gomes, show esse só apresentado até então para espaços maiores; Nara Leão e Roberto Menescal ( último show da cantora); apresentação inédita no Brasil na época com Márcio Montarroyos e Wagner Tiso em 1991, que antes só  haviam tocado juntos em Berlim e na Espanha; Jorge Benjor e a banda do Zé Pretinho; Moraes Moreira lançando seu filho Davi Moraes aos 14 anos ;o lançamento de Cássia Eller, pois ainda não era consagrada e muitos outros grandes nomes, inclusive da música macaense, presenças sempre marcantes e preciosas na casa.

Com o falecimento do empresário em 1997, a família resistiu mantendo o espaço mais três anos, chegando a lançar o grupo de forró Raiz do Sana, e produzindo mais uma apresentação de Celso Blues Boy, figura constante no Chaplin’s.

Plagiando uma frase da Revista de Domingo citada acima, muitos amores e negócios foram abertos e fechados no bar, mas sem dúvida o que marcou foram os grandes shows que passaram por lá. A prova disso é que, 21 anos se passaram e as pessoas que frequentaram a casa não se esquecem dos bons momentos que tiveram. Por isso, pelas boas lembranças e vontade de revivê-las um pouco, a família de Samuel realizou em 2017, que se completou 20 anos do seu falecimento e 60 anos de idade, um bloco, juntamente com o Resgate do Carnaval de Rua de Macaé, em sua memória com a participação de vários blocos.

Devido ao grande sucesso de público em 2017, o Bloco Chaplin’s retorna a cena do Carnaval em 2018.

Bloco das Danadas

Verão de 2004, todos nós macaenses (de nascimento ou por opção) e apaixonados por nossa cidade. Paixão muito por conta do que nossos pais, tios e avós nos contavam e ainda contam. Nos ensinando que quem ama cuida! Dentre tantas histórias, sempre escutávamos com o brilho nos olhos deles e com sentimento de também querer vivê-las por nossa parte, o que nos contavam dos carnavais que os mesmos guardavam na memória. Nos indagávamos: “Será que nunca passaremos por isso em Macaé?... Até quando vamos precisar sair daqui no carnaval? ...Se nós não tivermos essa oportunidade, nossos filhos e netos também não terão?”

Foram desses questionamentos que nasceu a ideia de fundar o BLOCO DAS DANADAS. Do sentimento de quem ama Macaé e quer valorizar a cultura, preservar nossas raízes e retomar o orgulho de ser daqui que muitos estavam perdendo e até esquecendo.

No primeiro ano, de maneira despretensiosa, a ideia daqueles 20... 30 amigos, era apenas de se divertir na orla da praia dos cavaleiros, vestidos de mulher para “abrir” oficialmente o carnaval, uma vez que os desfiles já eram desde então sempre um sábado antes do carnaval. Pois bem, para nossa surpresa, no primeiro ano e em curto espaço de tempo já éramos 80 “Danadas”, muito bem vestidas e paramentadas, com pequena bateria composta por instrumentos emprestados por outras agremiações, tocados por nós mesmos; “enfeitadas” pelas mães, irmãs, primas e namoradas... e acompanhadas no trajeto pelas mesmas e pelos pais mais saudosistas que em sua época também vestiam-se de mulher no carnaval. Era o início de nosso sonho, repetir o que nossos pais sempre contaram: estava na rua o Bloco das Danadas,  um pequeno grupo alegre, irreverente, muito divertido, num ambiente totalmente familiar e com muita segurança.

A partir do segundo ano, 2005, incorporamos oficialmente a ala feminina do bloco. Mães, irmãs, primas, namoradas, esposas e amigas, reclamavam que não queriam ficar apenas no calçadão nos observando e participando dos preparativos emprestando vestidos, maquiagens, brincos e demais adereços. Estava formada a “ala das kadarças”, que a partir de então passaram a desfilar com camisas que as identificavam como as “SEGURANÇAS” das DANADAS. Mais um motivo de orgulho para todos nós, ver agora toda a família participando.

Banda tocando marchinhas de carnaval ao vivo, confete e serpentina, Dj´s tocando os sucessos mais atuais. Sensacional! Desfiles esses sempre com samba-enredo próprio do bloco, com temas, letras e melodias novas a cada ano.

Nesses 12 anos são inúmeras e inesquecíveis histórias, casais se formando e até os filhos já desfilando... um verdadeiro encontro de gerações, com netos, pais e avós desfilando na mesma energia.

Esse ano, quando o bloco completa 14 anos, temos o orgulho de participar da continuação do resgate do carnaval de rua de Macaé.

Bloco Boi Capeta

O bloco Boi Capeta surgiu no inicio dos anos 80, quando o filho de Ricardo Meirelles, professor na ocasião da escola Estadual Luiz Reid, Felipe Meirelles, pediu que a Tia Lia Meirelles, fizesse um boizinho para o Carnaval que se aproximava. A tia com toda habilidade de artista plástica, desenvolveu e produziu com muito carinho o pedido do sobrinho.

Num sábado de Carnaval, os familiares de Felipe reuniram um pequeno grupo de amigos para sair no Bloco do Boi Capeta, nome dado pelo Felipe na ocasião. O bloco saiu da Rua Euzebio de Queiros, onde os foliões puderam andar pelas ruas do centro num desfile sem musica, mas com som da batida das latas. Um cantava marchinha, outro tocava e assim o bloco saiu pela primeira vez.

Depois do primeiro carnaval, o Bloco virou uma tradição no município de Macaé. O ponto de partida foi por muitos anos na frente da casa do Ricardo Meirelles, localizada na ocasião na Rua Euzébio de Queiroz. Outras vezes o ponto de partida era na frente do antigo Chaplin.s Bar, localizado na Rua Silva Jardim, outras saiam da frente do Bar do Sadi ou mais conhecido como Paulinho.

A tradição do Bloco era entrar na avenida sempre pela contramão, o que causava um alvoroço e nos rendia muitas gargalhadas, comentou Ricardo Meirelles.

Com o passar dos anos, o bloco foi se organizando e conseguiram colocar uma banda que tocava musicas de carnaval. O mesmo tinha a marca de ser altamente democrático, sem exigências, sem taxas de contribuição para fantasias, bebidas e boa musica.

De acordo com Ricardo Meirelles, o bloco desfilava pela rua Direita, rua da Praia, na  Imbetiba, Linha Vermelha e a medida que Macaé crescia o Carnaval mudava de avenida. A produção das camisas ficava por conta de Manoel Reis, que através da ART MANHA produzia as lindas camisas do desfile, patrocinada pelo comércio macaense, mas não era obrigatória o usa da camisa. O fato de ter as camisas, e estandarte criado por Marco Aurelio, não impedia de qualquer pessoa participar.

‘Em 2017 voltamos a desfilar  isso depois de mais de 15 anos sem desfilar e devido ao grande sucesso, esse ano vamos sair novamente ”, ressaltou Ricardo.

Bloco Galo da Meia Noite

O bloco é em homenagem ao personagem “O galo” protagonista por muitos anos na Rinha onde hoje abriga o Centro Cultural Rinha das Artes,  que dá o protagonismo para arte e a cultura. Com objetivo de resgatar o melhor do carnaval de antigamente, vem para reforçar o carnaval de Macaé que quer brincar com alegria e paz ao som de muito samba e marchinhas que encantaram gerações.

O Bloco Galo da Meia Noite irá sair pela primeira vez se juntando com outros blocos que fazem parte do Resgate do carnaval, na segunda-feira (12)  na Praia de Imbetiba.

Daniela Bairros

Crédito: Divulgação

 

 

 

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