Alunos da rede municipal de Cabo Frio deram início, nesta terça-feira (14), às atividades práticas do concurso de fotografia “Clique Migratório”, realizadas no Parque Natural Municipal Dormitório das Garças. A proposta reúne ações de educação ambiental, oficinas e visitas guiadas em um dos principais refúgios de aves da cidade.
A iniciativa é conduzida de forma integrada pelas secretarias de Educação, Meio Ambiente e Governo, com apoio da Coordenadoria-Geral de Comunicação. A programação inclui orientações sobre biodiversidade, técnicas fotográficas e exploração monitorada das trilhas do parque.
O primeiro dia começou com uma apresentação sobre as espécies que habitam a área, seguida de uma oficina ministrada pela fotógrafa Mariana Ricci, que abordou noções práticas de fotografia com celular, como enquadramento, uso de zoom e escolha de ângulos. Em seguida, os estudantes percorreram o espaço, passaram pelo mirante e registraram diferentes aves, com acompanhamento de biólogos e educadores ambientais.
Durante a abertura, o secretário municipal de Educação, Alessandro Teixeira, destacou o papel da iniciativa na construção do senso de pertencimento. "Estamos trabalhando a dimensão do pertencimento, porque nós somos desse lugar, e a gente ama aquilo que conhece. É preciso reconhecer e valorizar esse espaço, que já passou por períodos de degradação e hoje é exemplo de recuperação. Queremos aproximar os alunos da cidade, encantar, despertar o cuidado e a preservação para esta e para as próximas gerações."
O concurso reúne 82 estudantes de diferentes unidades da rede municipal, incluindo escolas tradicionais, quilombolas e voltadas à educação de surdos. Além das atividades práticas, os participantes recebem orientações sobre segurança, preservação ambiental e boas práticas de observação da fauna.
O biólogo Marcos Vargas ressaltou a importância ecológica do parque como cenário da ação. "A escolha do Dormitório das Garças se deve à biodiversidade rica que encontramos aqui. É um fragmento ambiental em área urbana que abriga diversas espécies, especialmente aves migratórias. Temos aqui registros importantes, como os maçaricos de bico-torto e perna-amarela, que já são consideradas espécies ameaçadas, além de cerca de 1.400 garças. É um ambiente seguro, propício para atividades educativas e muito inspirador para os alunos."
Entre os participantes, o estudante Samuel Mendonça destacou a experiência de contato direto com a natureza. "Nós caminhamos na natureza e vimos paisagens lindas. No mirante, vi muitos pássaros. Respeitamos as regras, ficamos em silêncio e usamos o zoom da câmera para fotografar de longe. Foi muito bom."
Já Hugo Vasconcelos, aluno de uma escola quilombola, ressaltou o impacto da vivência. "Foi um dia muito importante para mim e para minha escola. Aprendemos a tirar fotos, vimos aves maravilhosas. Foi uma experiência enriquecedora e que vai ficar na memória."
O concurso segue com novas expedições ao longo da semana. As imagens produzidas passarão por seleção interna nas escolas e, posteriormente, serão submetidas à votação popular nas redes sociais da Secretaria de Educação. As fotos escolhidas integrarão uma exposição no Horto Municipal, em celebração ao Dia Mundial das Aves Migratórias.
Foto: Mari Ricci e Ygor Carvalho