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“Terra em transe”

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Quando o olhar vanguardista de Glauber Rocha chocou a todos a pouco mais de 50 anos, com o filme “Terra em transe”, não se imaginava que a obra representava uma espécie de profecia. Afinal, pouco a pouco nos tornamos uma sociedade com os mesmos sintomas retratados pelo autor à época. Evitar o avanço desses desatinos é um desafio para cada cidadão, pois, ao contrário, estaremos fadados a um retrocesso contínuo.

No filme, as instituições entraram em colapso. Políticos e partidos travavam verdadeiras batalhas. Juízes, promotores e empresários se acusavam uns aos outros. Situações reais que atônitos assistimos há anos. No pano de fundo sempre o dinheiro e o poder em primeiro lugar, camuflados no discurso hipócrita de que tudo se dá em nome do povo.

Seja numa obra de 50 anos atrás, seja no século XXI, o pesadelo é o mesmo. O que temos de diferente são as tecnologias e as redes sociais, na qual todos têm vozes. Esses recursos, em parte, só trouxeram a possibilidade de aflorar a miserabilidade humana.

A sociedade parece de ponta a cabeça. Não é de hoje que percebemos alguns valores se perdendo. A violência crescente nas últimas décadas fez com que a intolerância também chegasse ao seu apogeu, o que é compreensivo por um lado, mas também muito perigoso.

Quando assistimos a atos violentos e nos posicionamos de forma mais violenta ainda é sinal de que algo não está certo. Estamos numa sociedade na qual uma mulher que passa quatro horas sendo espancada por um maníaco e ainda é questionada por leva-lo para casa no primeiro encontro. Ignoram o fato de se tratar de um indivíduo reincidente na prática violenta, tendo o histórico de agressão ao próprio irmão e pai. Mesmo assim há quem pense diferente.

Quando policiais são exterminados, as vozes que se levantam a em nome dos direitos humanos se calam numa demonstração de incoerência social. Afinal, os direitos são para todos, inclusive para quem está do lado da lei.

Poderíamos abordar vários outros exemplos, como as próprias tragédias recentes, nas quais as instituições privadas, resistentes a arcarem com justas indenizações, só faltam declarar que as vítimas são as culpadas por estarem na hora errada e no lugar errado, seja num incêndio ou no caminho de uma avalanche de lama. Minimizam o sofrimento pela perda de vidas, ofertando quantias pífias para preservar o caixa.

Parafraseando Glauber Rocha nossa terra está em transe e precisamos nos dar conta disso.

Marcos  Espínola – advogado criminalista

 

 

 

 

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