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Princípios para uma nova educação

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A nova educação, aquela que devemos buscar para superar as tensões e desilusões existentes em nosso país, exige princípios que considero de fundamental importância para a boa relação entre aprendizes e professores. Uma a relação fundamental para o desenvolvimento de um eficaz processo de ensino aprendizagem e, consequentemente, formador de novos homens e de novas mulheres.

O princípio da interação social e do questionamento. Ensinar/aprender, perguntas ao invés de respostas.

Neste princípio o professor e o aprendiz compartilham significados em relação aos conteúdos das disciplinas, envolvendo uma permanente troca de perguntas ao invés de respostas. Importante aqui é a percepção da necessidade de se estabelecer a negociação de significados entre aprendiz e professor, sem negar, no entanto, os momentos explicativos em que o professor apresenta o conteúdo.

O princípio do aprendiz como perceptor/representador.

Aqui é bom destacar que o aprendiz não pode ser compreendido como um mero receptor de conteúdo, de conhecimentos prontos, sem que exista criticidade nesta relação. Ele percebe de acordo com o que ele é, percebe de maneira única, exclusiva o que é ensinado.

Princípio da consciência semântica.

Neste princípio o aprendiz possui uma importância vital. Ele dá significado ao conhecimento, denotando que o significado está nas pessoas e não nas palavras, que o conhecimento não é uma realidade que possua o mesmo sentido sempre, muda com a história, com o tempo e o espaço.

Princípio da aprendizagem como erro.

Nesta concepção de aprendizagem o erro não é ignorado como mecanismo humano para a construção do conhecimento. É preciso ter clareza de que o conhecimento muitas vezes está errado e que o que irá substituí-lo poderá também estar errado. Nesta perspectiva o ato de punir o aprendiz em decorrência do erro e o ato de promover a aprendizagem de fatos, leis, conceitos, como verdades duradouras, deixam de existir.

Princípio da incerteza do conhecimento.

Este princípio é, de certa forma, uma síntese dos princípios anteriores e de outros que não abordei neste artigo. Ele defende a idéia de que para se construir uma visão de mundo, isto é, para se construir o conhecimento, todo aprendiz deve ter em mente três elementos constitutivos da linguagem: perguntas, definições e metáforas.

As perguntas constituem o principal instrumento de percepção disponível para o aprendiz, porquanto se contrapõem à incerteza do conhecimento. As definições são instrumentos para pensar e não possuem nenhuma autoridade fora do contexto para qual foram criadas. As metáforas são instrumentos de representação do conhecimento percebido e posteriormente definido.

Baseado nos princípios apresentados existirão condições objetivas para a superação dos determinismos existentes na educação atual; poderemos aproveitar o que existe de positivo na mesma e implantar uma proposta educativa que não faça do aprendiz e do professor meros coadjuvantes de uma história que a eles pertence indiscutivelmente.

Professor José Augusto Abreu Aguiar

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