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O ovo da solidariedade

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Nessa semana, o menino Luiz Gustavo de apenas 8 anos da cidade de Caçu, no interior de Goiás, foi o responsável por gesto que rendeu a um ovo o valor R$ 4.000,00 (quatro mil reais). Não se tratava de um ovo de ouro, ou muito menos um Ovo Fabérge, verdadeiras joias que pertenciam a família real Russa. É um ovo que leva consigo um bem inestimável: a genuína solidariedade.

Certo dia, voluntários faziam uma caminhada para arrecadação de donativos a serem leiloados em favor do abrigo de idosos da cidade de Caçu e bateram na porta da casa do Luiz Gustavo. Casa e família com uma situação bem precária (ao invés de humilde) e que naquele momento talvez precisassem até mais de ajuda do que o contrário.

Uma dessas voluntárias perguntou ao padrasto do menino se ele tinha alguma coisa para doar.

O senhor lamentou e respondeu que no momento faltava a comida para o próprio sustento da sua família que contava ainda com sua esposa e mais dois irmãos do Luiz. O menino então correu na cozinha e voltou com um ovo na mão. Era o único da geladeira, mas foi a maneira que ele sentiu em seu coração que poderia ajudar.

A cidade ficou sabendo da história, e o ovo cheio de solidariedade foi leiloado e revertido em benefício dos idosos.

Tenho certeza que inúmeros gestos pequenos acontecem o tempo todo no Brasil. Gente que “se aperta” para ajudar, que dedica sua vida ao bem do próximo ou que faz o bem sem necessariamente virar notícia, como foi o caso que contei. Virar notícia não diminui o tamanho da ação do Luiz Gustavo, pelo contrário ela tem um papel pedagógico de nos fazer questionar se não podemos ajudar mais o próximo. Esse menino não tinha garantida a refeição do dia seguinte, mas para ele não importava, para ele os idosos precisavam naquele momento.

A televisão, internet e jornais nos bombardeiam de péssimas atitudes e exemplos o tempo todo. Aos poucos nos forjam uma carcaça endurecida e de desconfiança com tudo a nossa volta. Talvez no lugar do menino questionássemos tudo que estava acontecendo. Para quê? A inocência do coração dele só disse pra ele ajudar.
Muitas vezes devemos olhar para dentro de nós com essa pureza. Como diz a canção de Milton Nascimento: “Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração (...) e me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor”.

Daniel Raony
Advogado , Pós-graduado em Gestão de Políticas Públicas e aluno do RenovaBR Cidades.
E-mail: danielraony@hotmail.com
No instagram e no facebook: Daniel Raony

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