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O golaço do Flamengo

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O finalista da Libertadores da América não chegou lá atoa. Apesar de um amante do futebol, não vou entrar no mérito técnico e tático que levou o Flamengo a uma final de libertadores depois de 38 anos. Quero refletir um pouco com você sobre a gestão do Flamengo nos últimos anos.

O Rubro Negro sempre foi um time enorme e de uma torcida gigantesca. Com quase 40 milhões de pessoas, ela é maior que a população de muitos países. É um pouco menor que toda população da Espanha, país que tem um dos campeonatos nacionais mais badalados do mundo. Só que seu tamanho era diretamente proporcional a suas dívidas e reiterados calotes em jogadores, empresários e impostos.

Em 2013 o Flamengo fez uma escolha política. Elegeu uma chapa que abertamente dizia que queria ganhar títulos, mas que sua maior preocupação era tirar o Flamengo da situação que se encontrava. Em um país apaixonado por futebol e preocupado com resultados dentro de campo, essa mentalidade foi uma quebra de paradigma. O Flamengo quis se reestruturar e sabendo que os recursos eram escassos preferiu ter times modestos para priorizar a sua estrutura e finanças fora de campo. Contratações caríssimas quando você está todo endividado é bom para o torcedor, mas para o gestor não demonstram arrojo ou coragem, demonstram irresponsabilidade. A tônica foi ajuste fiscal e gestão profissional.

Aos poucos não voltou só o respeito. Voltou a credibilidade e confiança na instituição. O torcedor, que sempre apoiou, viu que ali agora as coisas estavam funcionando de maneira melhor. Se ele já amava e ajudava como podia, você acha que agora ele ficaria de fora? Claro que não. Houveram reclamações com a falta de resultado, natural, mas como um todo o torcedor flamenguista depositou suas esperanças na nova política do clube.

Os resultados começam a aparecer. Não, não falo só da final da libertadores e da ampla vantagem no Brasileirão. Vou além. Agora o Flamengo tem capital para contratar muitíssimo bem sem que as pessoas pensem “vai tirar dinheiro de onde?”. O Maracanã fica lotado e jogadores acostumados com o padrão europeu e que teriam com facilidade a oportunidade de permanecer lá mais uns 2 anos no mínimo, escolhem voltar ao Brasil e defender suas cores. O torcedor tem o sentimento de que uma eventual derrota pode até acontecer, mas que no ano seguinte seu time provavelmente estará mais forte ainda e brigando novamente.

Antes o Flamengo tomava decisões pensando em 90 minutos, um carioca ou até em uma temporada. Hoje pensa nas decisões que tomará pelos próximos anos e, quem sabe, décadas. Esse sim, é o golaço que o Flamengo fez e o coloca na frente do placar em comparação a todos os outros times, inclusive do meu Corinthians. Que o Flamengo sirva de exemplo para os outros times e também gestores das mais diversas áreas, afinal todos queremos melhores resultados, mas até aonde estamos dispostos a nos comprometer, organizar e responsabilizar de verdade?

Daniel Raony
Advogado , Pós-graduado em Gestão de Políticas Públicas e aluno do RenovaBR Cidades.
E-mail: danielraony@hotmail.com
No instagram e no facebook: Daniel Raony

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