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Nervos à flor da pele

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O Brasil se tornou um país que precisa de divã. Ao longo dos mais de 500 anos, a ordem e o progresso deram lugar ao oposto, ou seja, a desordem é notória e o retrocesso se apresenta na medida em que cada vez mais o desrespeito aos direitos básicos da cidadania é cada vez maior. Somada a isso está à ameaça à liberdade de expressão tão discutida pela imprensa, mas que hoje é claramente protagonizada por muitos de nós, camuflado pelo discurso do politicamente correto e pela ira daqueles com eventual opinião contrária. Se posicionar sobre um determinado assunto na atualidade pode significar para qualquer um de nós virarmos alvo de agressões, xingamentos e incompreensões de toda ordem, expondo o nível de tensão excessivo em que se encontra a nossa sociedade.

Para se ter idéia, entre 2015 e 2016, aumentou em quase 40% o número de consultas de brasileiros que tem planos de saúde com psicólogos segundo a  Fensaúde. A depressão se tornou uma doença cada vez mais presente nos lares brasileiros e a tendência, infelizmente, é piorar.

E são vários os fatores que impulsionam essa realidade. A crise ética e moral dos últimos anos que atingem o alto escalão da nação é uma dessa causas, pois a conseqüência disso é não só o desemprego, mas também uma constante insegurança.

Outro ponto importante vem das redes sociais. A rede global que rompeu barreiras trouxe com ela muita irresponsabilidade de usuários sem escrúpulos e que utilizam o suposto anonimato para propagar ódio gratuito e expor preconceitos dos mais variados.

Seja por divergência ideológica, opção de um time, fé religiosa, entre outros, a reação de alguém que não concorde com você pode vir de forma tão voraz que acaba por intimidar muita gente de bem ou formador de opinião.

O clima tenso é predominante, causado por diversas formas de violência, a começar pela urbana, passando pelas más gestões públicas nas mais variadas áreas sociais, pelos campos de futebol até o trânsito. Está todo mundo com os nervos na flor da pele e a agressão chega antes de se esgotar toda argumentação. Uma inversão de valores que nos leva cada vez mais para a intolerância e a falta de diálogo.

Estamos todos doentes. Temos medo de andar na rua. Estamos descrentes de dias melhores e muitos já não acreditam mais nem mesmo na humanidade. Um grave quadro psicológico que se estender para as próximas gerações terá como cenário futuro algo ainda mais caótico.

Marcos Espínola  – advogado criminalista


 

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