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Limite: “Essa moda pega”

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No artigo de hoje falaremos sobre limites, e sobre alguns transtornos ligados a falta do mesmo.  O conceito de limite relaciona-se com a ideia de divisão, que muitas pessoas imaginam pertencer à ideia de fronteira, o que não é correto. O limite é a divisão entre uma unidade territorial e outra. Com isso trouxemos o assunto retratando, as consequências dessa ultrapassagem obtida pelo conceito de comportamento humano da infância até a fase adulta. Tudo se inicia quando ainda na primeira infância os pais poupam as medidas disciplinares corretas a serem impostas por medo de temer o amor do filho, quando na verdade as crianças e adolescentes sem limites, não se sentem amados. É algo como um sentimento de que os pais não se importam com eles, já que não se importam com o que eles fazem. Inseguros afetivamente usam do mau comportamento para chamar a atenção dos pais. Segundo o psiquiatra Içami Tiba, em seu livro ‘Disciplina, limite na medida certa’: “Uma criança satisfeita dá liberdade para os pais. Estando insatisfeita, exige atenção o tempo inteiro”. Mas poucos sabem que a chamada “falta de limite e disciplina” possa a vir gerar alguns transtornos ao longo do tempo nesses sujeitos. De acordo com o DSM (O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) existem três principais transtornos ligados a essa falta de limite, sendo o TOD (transtorno de oposição desafiante) que é um padrão frequente e persistente de humor raivoso/irritável, de comportamento questionador/desafiante ou de índole vingativa. Não é raro indivíduos com transtorno de oposição desafiante apresentar características comportamentais do transtorno na ausência de problemas de humor negativo. Entretanto, as pessoas com o transtorno que apresentam sintomas de humor raivoso/irritável costumam também demonstrar características comportamentais. Em crianças e adolescentes, o transtorno de oposição desafiante é mais prevalente em famílias nas quais o cuidado da criança é perturbado por uma sucessão de cuidadores diferentes ou em famílias nas quais são comuns práticas agressivas, inconsistentes ou negligentes de criação dos filhos. Uma criança que desenvolve transtorno de oposição desafiadora e que não seja tratada corretamente com psicoterapia tem maiores chances de desenvolver TC (Transtorno no de Conduta) na fase intermediária da infância até a fase intermediária da adolescência, apresentando comportamentos que violam as normas sociais e dos direitos dos outros, a criança ou o adolescente com TC, pode chegar a maltratar os animais, mentir com frequência, destruir patrimônios, sem apresentar ressentimentos e culpa. E, por fim, o transtorno de personalidade Antissocial já na fase adulta, sendo um agravante de todos os transtornos anteriores.

Segundo a neuropsicologa Caroline Albuquerque, esse comportamento acontece devido disfunções em neurotransmissores serotoninérgicos que são responsáveis pela regulação e modulação do humor, sono, ansiedade, sexualidade e apetite; e o neurotransmissor dopaminérgicos, que está relacionado a recompensa, motivação e coordenação dos movimentos do corpo. Outro fator importante, que vale ressaltar é a necessidade do desenvolvimento das Funções Executivas, as funções executivas são um conjunto de habilidades necessárias para controle de nossa saúde mental e vida funcional; essa habilidade pode ser desenvolvida na prática da Terapia cognitiva comportamental e Neuropsicologia, através de atividades voltadas para atenção, percepção, memória, controle, ideação, planificação e a antecipação, flexibilização, metacognição, tomada de decisões e execução.

Junto à terapia, o filho precisa ser convencido de que é amado e a disciplina é uma grande ferramenta. Estabelecendo regras, rotinas e desenvolvendo um vínculo saudável com os filhos, eles entenderão que não terão que apelar para revolta no sentido de chamar atenção e ganhar afeto. Dessa forma, não se sentirão ainda tentados a usar de meios autodestrutivos para chamar a atenção, tais como os vícios de modo geral. A confiança, juntamente com o amor, é o elo que deve prevalecer na relação pais e filhos. Dúvidas, sugestões e esclarecimentos podem ser enviados para o e-mail contido no artigo.

 

Kimily Marinho da Silva

Psicóloga cognitiva comportamental

CRP 05/57830

Kimily__marinho@hotmail.com

 

 Soraya Karyme Carvalho de Jesus

Psicóloga Analítica Junguiana

CRP 05/58593

skaryme_psi@yahoo.com.br

 

 Colaboração

Neuropsicologa Caroline Albuquerque CRP 5/51603

carolinealbuquerque72@gmail.com

 

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