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Lama que mata o Brasil

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A tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais transcende uma catástrofe ambiental e o conceito de acidente. O que assistimos foi uma verdadeira chacina, provocada pela omissão e ambição tanto da iniciativa privada quanto do Poder Público. Mais uma vez, a premissa do capitalismo prevaleceu em detrimento do respeito à vida e ao meio ambiente. De positivo neste caos, há apenas o heroísmo de bravos bombeiros militares e voluntários que se arriscam na angustiante busca por sobreviventes ou corpos que possibilitem aos familiares o direito de um sepultamento digno.

Com mais de 150 mortos e 160 pessoas ainda desaparecidas, o rompimento da barragem em Córrego do Feijão representa, literalmente, uma avalanche de lama que devasta o Brasil ao longo do tempo. Um lamaçal impregnado em cada esfera pública na qual a omissão é o modelo que facilita a irresponsabilidade de empresas que conduzem seus processos visando o lucro máximo, independente do risco que possa oferecer à população.

Esse estereótipo do capitalismo é compactuado com órgãos públicos que almejam maior arrecadação. Assim, a Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, com lucro líquido de R$ 17,6 bilhões em 2017, deliberadamente opta por um modelo de barragem considerado o mais barato e menos seguro. Tudo isso sem ser incomodada por ninguém, seja prefeitura, governo do estado e órgãos federais.

Sabe-se lá o porquê engenheiros, já presos, deram laudos positivos para as barragens, corroborando com um ato criminoso que pôs em risco trabalhadores e a população do entorno. O Brasil tem hoje quase 200 barragens de mineração com potencial de dano considerado alto, similar ao que se rompeu em Brumadinho e nenhuma providência é tomada.

Aos cidadãos dessas localidades resta somente contar com a proteção divina e, na tragédia, com o trabalho heroico de bombeiros e voluntários. Trabalhando à exaustão são eles que têm trazido (se é que é possível) um alento aos familiares, digno do reconhecimento de todos. Arriscam-se, insistem e persistem em busca dos desaparecidos.

Enfim, enquanto as imagens de Mariana ainda se mantinham vivas em nossa mente, a enxurrada de Brumadinho e os mais de 300 brasileiros que perderam suas vidas nos comprovam o mar de lamas que ainda vivemos.

 Marcos Espínola- advogado criminalista

 

 

 

 

 

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