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José Augusto Aguiar, patrono da liberdade de expressão.

Daniela Bairros

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Contextos históricos desafiadores e DNA de luta acabam forjando personalidades que abraçam  causas humanitárias imprescindíveis. É o caso do Professor José Augusto Aguiar que  forjou a consciência durante os anos de chumbo e  herdou do sangue do avô paterno  uma justa convicção ideológica.

Zé  Augusto, entendendo a importância da luta pelo bem comum, soube fazer da Política uma experiência integradora de vida, numa conjuntura que não permitia organizações democráticas e liberdade de expressão.

Todas as dimensões da sua vida: familiar, religiosa, educacional e social... tinham um viés libertário. Como estudante do Curso de  História, manteve sua indignação diante das arbitrariedades  de um governo militar violento e excludente. Contou com a compreensão e a complascência do seu pai. no momento em que sua necessária e jovem rebeldia o levou para trás das  grades. Isso gerou uma  gratidão incomensurável no seio familiar.

Como liderança religiosa, foi pioneiro (década de 1970) na conscientização da juventude católica de 16 Municípios, demonstrando que a fé, sem a defesa da justiça e da igualdade, é morta. Isso custou-lhe uma explícita discriminação por parte de alguns representantes do clero; mas ele se mantinha firme e altivo.

Como professor, já com o nome registrado no DOPS( órgão de repressão do governo militar), não se intimidava com a presença de agentes infiltrados(espiões) que vigiavam suas aulas de Estudos de Problemas Brasileiros, na FAFIMA. Nessa faculdade   e em outros colégios, firmou-se o professor que fez da escola um templo de formação do senso crítico e do compromisso com a verdade, a solidariedade, a justiça social...

Como defensor das causas profissionais, esteve na fundação do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE), encabeçando a histórica greve de 1979, ainda que esse tipo de movimento fosse proibido na época. Os grevistas tinham que comparecer à Delegacia Regional de Araruama para prestar “depoimento”. No campo político-partidário, filiou-se ao PDT, no contexto da anistia , da redemocratização e das Diretas já. Chegou a candidatar-se a prefeito- um ato revolucionário naquele momento- reafirmando a posição de quem vê a Política institucional como defesa do bem comum. Enfrentou o preconceito dos conservadores, sem esmorecer. Durante o primeiro governo de Brizola(1983...), esteve à frente do Centro de acolhimento de “menores” em São Domingos, Conceição de Macabu, numa inegável opção pelos excluídos dentre os excluídos. Além disso, alimentou com sua postura e seu discurso firme e rico de conteúdo inúmeras lutas políticas. Foi filiado também ao Partido dos Trabalhadores, sempre na perspectiva de aliar-se a agremiações partidárias com projeto democrático-popular. Atuou em  importantes cargos e funções na Secretaria Municipal de Educação, desde 1993, (considerando os  intervalos, durante alguns Governos) fazendo valer a sua convicção de que educação é um ato político, transformador. Enfim, ninguém pode falar sobre a  política e a educação do nosso município, sem citar  o Professor José Augusto que não apenas lecionou História, mas FEZ HISTÓRIA. Por isso, no momento em que a conjuntura política pensa em amordaçar o professor,  é preciso deixar gritar na mente e no coração a voz forte de Zé Augusto, o Patrono da liberdade de expressão.

 

Ivania Ribeiro- Professora Adjunta da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Macaé e do Instituto Histórico e Geográfico de Macaé.

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