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Depressão à vista

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Dados estatísticos vêm comprovando que a depressão é, mesmo, o mal deste século e existe uma epidemia da doença que já atinge cerca de 10% da população mundial, inclusive, apontando para um triste crescimento. A coisa tem se agravado tanto que até algumas de nossas estradas sofrem, têm sinalizado e alertado para o cuidado com ela, como é o caso de uma existente no município de Quissamã, no Estado do Rio de Janeiro. Brincadeiras à parte - que ajudam a levantar o humor e o astral nas horas difíceis - mas o fato é que a situação em nosso país é particularmente ruim: um levantamento realizado pela americana Universidade de Harvard em 18 localidades mostra que a prevalência de depressão no Brasil é a maior entre as nações em desenvolvimento, com um total de 10,4% de indivíduos atingidos. E a taxa de mortes relacionada a episódios depressivos (incluindo suicídios) aumentou 705% por aqui nos últimos 16 anos, segundo pesquisa realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Convém deixar clara a diferença entre depressão e tristeza. A primeira é uma doença, marcada por sentimentos de prostração, perda de interesse e prazer, culpa, baixa autoestima, distúrbios de sono e na alimentação, cansaço e déficit de concentração. Embora os médicos não conheçam em detalhes os motivos do início de uma crise - tampouco o que acontece direito no cérebro deprimido -, o quadro tem diagnóstico e tratamento. Portanto, não dá para caracterizá-lo como falha de caráter ou falta do que se preocupar. Ainda há muito estigma, e isso só prejudica a melhora do paciente, dizem diversos profissionais da área. Na contramão, a tristeza faz parte da natureza humana. Ela é uma das formas como expressamos o colorido das emoções. O problema começa quando esse sentimento paralisa e impede que a vida siga em frente. Por isto, é importante que, caso sejam verificados sinais de depressão, pela própria pessoa ou por familiares - outros grandes aliados no processo, - (o estresse pode ser um deles mas tem de se verificar outros possíveis componentes entre eles abalo psíquico/ profundo sentimento de perda, bem como abuso em álcool, tabaco e outras drogas), se procure um profissional que poderá fazer uma avaliação prévia, um posterior diagnóstico e, dependendo do grau do transtorno, o tratamento mais apropriado que pode incluir, ainda, sessões terapêuticas que são outra forma eficaz de auxílio para quem deseja reaprender a lidar e conviver com as situações difíceis que aparecem pela frente, se desvencilhar da depressão para abraçar a vitalidade. Mas, lembre-se, amor e carinho são essenciais para que tudo dê certo e os problemas na "estrada da vida" sejam, devidamente, reparados.

A RJ-196, no trecho que liga a BR-101 a Quissamã, alerta para a depressão.

João Direnna é jornalista e psicólogo

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