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A verdade não dói

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Outro dia estava lendo uma entrevista com Astrid Fontenelle, daquelas profundas, reveladoras, que vêm de dentro da alma e, principalmente, nos fazem refletir sobre aspectos muito importantes. Nela, a polêmica e consagrada apresentadora de TV falou, por exemplo, sobre ter sido violentada pelo padrasto e se mantido em silêncio durante anos ( sua mãe morreu sem saber de nada); a luta contra o lúpus ( doença autoimune, sem cura); os problemas advindos da adoção de um menino negro e o preconceito sofrido por ela, o marido e, claro, pelo próprio e a perda da mãe que a ensinou a não mentir ( melhor ter um filho burro do que mentiroso) pois a mentira "mostra a falta de caráter". Guardadas as proporções e pensando no mundo em que se vive hoje, com todas as suas nuances e fake news, esta foi a que mais me chamou atenção porque, além  de ser a mais pura verdade, se há algo que sobra no mundo, fazendo parte da essência da grande maioria dos seres humanos, consequentemente, de tudo que anda, fala e respira, é a mentira.

Aquela que corrompe, destrói a esperança e o futuro, nos contaminando até naquilo mais simples e trivial que seria viver no mundo real.

A falta de verdade tem sobressaído tanto que, independentemente de seu tamanho, sempre causa estrago. Sejam as intenções de se destruir alguém, na família, no trabalho, na política, sejam as utilizadas nas redes sociais e nos meios de comunicação tradicionais (se bem que nos dias de hoje a tradição tende para as redes), as mentiras são  o combustível mais eficaz para se atingir o objetivo.

Entretanto, a despeito de todo seu poder e de uma quase luta hercúlea de David contra Golias, tal como na passagem bíblica,  o bem sempre triunfará.  Ou quase sempre, pois não há  mal que dure para sempre nem a verdade que um dia não apareça.

João Direnna é  jornalista e psicólogo 

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