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A ciência, a religião e a ministra

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Um grupo de cientistas da University of California realizou um experimento numa empresa de bebidas onde alguns funcionários foram incentivados a praticar pequenos atos de bondade para um grupo de colegas, mas não para outros. Os cientistas descobriram que após serem agraciados com pequenos atos de bondade, os funcionários passaram a ajudar seus colegas 278% a mais, comparados com o grupo de pessoas que não recebeu atos de bondade. Posteriormente, estes funcionários também reportaram estar significativamente mais felizes do que seus colegas que não receberam tais atos. Mas a grande revelação deste estudo ainda estava por vir: os cientistas descobriram que as pessoas que tiveram os aumentos mais significativos em sua felicidade foram as que praticaram os atos de bondade, não as que receberam.

Num outro estudo, cientistas da Harvard, Simon Fraser e University of Toronto presentearam pessoas na rua com um envelope que continha $ 5,00 dentro e posteriormente, mediram a felicidade de cada participante. Algumas pessoas foram instruídas a gastar o dinheiro comprando algo para si mesmas, enquanto outras deveriam gastar o dinheiro comprando algo para outra pessoa. No final do dia, os cientistas mediram a felicidade de todos os participantes novamente e descobriram que aqueles que gastaram o seu dinheiro com os outros reportavam estar significativamente mais felizes do que os que gastaram o dinheiro consigo mesmos. Parece que o ser humano foi feito para ajudar uns aos outros.

O renomado pesquisador da University of Pennsylvania, Martin Seligman, realizou um experimento onde as pessoas deveriam praticar seis atividades diferentes com o intuito de aumentar a felicidade das mesmas. Dentre as seis atividades, a que aumentou a felicidade dos participantes de forma mais marcante foi a de escrever uma carta de gratidão para uma pessoa que a ajudou durante a vida e entrega-la pessoalmente. Outras intervenções científicas já descobriram inclusive, que o ato de apenas escrever uma carta de gratidão já apresenta efeitos de longo prazo na felicidade das pessoas.

Os cientistas Christopher Oveis e Dacher Keltner descobriram num estudo que ao presenciarmos uma pessoa sofrendo, existe uma ativação no nervo vago, que é o maior nervo do nosso corpo e apresenta ramificações para o cérebro, coração, pulmão, intestino, fígado e outros órgãos. Quando ativado, o nervo vago diminui os batimentos cardíacos, aumentando a probabilidade das pessoas tratarem as outras de forma gentil. O sistema vagal também possui inúmeros receptores de ocitocina, um hormônio responsável pelos sentimentos de amor, colaboração, confiança. Sarina Saturn, uma pesquisadora da Oregon State University, descobriu que ao presenciarmos o sofrimento de alguém, inicialmente o nosso sistema nervoso simpático entra em ação e posteriormente, o sistema nervoso parassimpático é acionado. Estes cientistas descobriram algo fantástico: o sofrimento de outras pessoas faz com que o nosso corpo fabrique estresse, fazendo com que nos coloquemos no lugar daquelas pessoas, e posteriormente nos acalma aumentando a nossa probabilidade em ajudar aquela pessoa a se livrar do sofrimento. Parte deste mecanismo é explicado por uma das descobertas mais importantes da medicina, realizada por cientistas da Università Di Parma. Um grupo de pesquisadores liderados por Giacomo Rizzolatti, descobriu um conjunto de neurônios chamados de neurônios espelho, que fazem com que o ser humano tenha uma tendência em copiar os movimentos corporais, expressões faciais e ações uns dos outros. No momento em que vemos alguém sofrendo, automaticamente nossos neurônios espelho nos fazem copiar a expressão facial daquela pessoa e assim, passamos a sentir a mesma coisa que ela, algo nomeado pelos cientistas como a Teoria do Feedback Facial. O ser humano tem uma capacidade natural de se colocar no lugar dos outros, de sentir o que os outros estão sentindo – nossas emoções se espalham.

Ao analisar o nível de materialismo de algumas pessoas, ou seja, o quanto elas valorizavam o sucesso financeiro e acreditavam que ser ricas e possuir bens era o principal sinal de sucesso, os cientistas Tim Kasser e Richard Ryan descobriram que as pessoas com estes valores são aquelas que mais reportam sofrer com depressão, ansiedade, estresse e de viver uma vida guiada pelo que os outros esperam delas.

Ao ter um convívio intenso com as ciências da felicidade e da motivação nos últimos quinze anos, estes são apenas alguns dos estudos dos quais eu me lembro que mostram uma profunda ligação entre os princípios presentes em várias religiões e as descobertas científicas. Dar é receber, amar ao próximo como a ti mesmo, amai-vos uns aos outros, o amor do dinheiro é a raiz de todos os males, quem oferece a gratidão recebe a salvação, a doçura no falar aumenta o saber, não cobiçar as coisas alheias. Como um estudioso da ciência, ofereço à Ministra Damaris o conforto da informação de que a ciência comprova que o ser humano é verdadeiramente fantástico e a tranquilidade para que ela saiba que quanto mais a ciência evolui, mas passamos a acreditar em Deus.

Sobre o autor: Baseado em comprovações científicas de universidades como Harvard, Stanford e Wharton, Luiz Gaziri apresenta realidades surpreendentes e pouco conhecidas nas áreas de Vendas, Gestão de Pessoas, Liderança, Felicidade e Motivação. Gaziri é autor, instrutor de treinamentos, consultor e professor na FAE Business School e na PUC-PR, em Curitiba/PR. Possui MBAs pela Baldwin-Wallace University (Cleveland, EUA) e também pela FAE Business School (Curitiba, Brasil). Estudou Administração de Empresas na FAE Business School e Liderança na London Business School (Londres, Inglaterra). Trabalhou por quase 20 anos como executivo em empresas dos mais variados segmentos e portes.

Luiz Gaziri, consultor e professor na FAE Business School e na PUC-PR, demonstra no artigo abaixo como a ciência se encontra com a religião.

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