Polícia de São Paulo e Ministério Público apontam movimentações financeiras suspeitas e bloqueiam mais de R$ 327 milhões em bens e contas
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público paulista para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, a operação mira uma estrutura financeira milionária usada para ocultar e reinserir no sistema formal recursos atribuídos à alta cúpula da facção criminosa.
Além de Deolane, a ação também teve como alvos familiares de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como principal liderança do PCC. Ele já está preso. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva.
A operação também determinou bloqueios superiores a R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos de luxo e quatro imóveis ligados aos investigados.
De acordo com a Polícia Civil, as apurações começaram em 2019 após a apreensão de bilhetes dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. Os manuscritos revelariam detalhes da estrutura interna do PCC, além de referências a movimentações financeiras e possíveis ataques contra agentes públicos.
A partir daí, a investigação avançou sobre empresas suspeitas de atuar como braço financeiro da facção. Uma transportadora sediada em Presidente Venceslau passou a ser investigada por lavagem de dinheiro após movimentações consideradas incompatíveis com a atividade econômica declarada.
Segundo os investigadores, conversas extraídas de celulares apreendidos apontaram conexões entre integrantes da organização criminosa e pessoas ligadas a Deolane.
As autoridades afirmam que a influenciadora passou a ser investigada após análise de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o patrimônio declarado e pela suspeita de utilização de empresas e bens de alto padrão para dificultar o rastreamento de recursos.
A Polícia Civil afirma que a operação também possui dimensão internacional. Três investigados estariam fora do Brasil, em países como Itália, Espanha e Bolívia, e podem ser incluídos na lista de procurados da Interpol.
Informações divulgadas pela BBC News Brasil destacam que o caso se tornou um dos maiores desdobramentos recentes envolvendo influenciadores digitais e investigações financeiras relacionadas ao crime organizado no país.
A defesa dos citados ainda não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.