A Polícia Civil de Conceição de Macabu cumpriu, nesse domingo, 1º de março, o mandado de prisão temporária contra o empresário Hudson Schelles Mereiles, de 38 anos, apontado como principal suspeito pelo homicídio de um adolescente de 13 anos que voltava da festa de formatura da mãe, em Macaé.
Em coletiva de imprensa realizada na manhã dessa segunda-feira, 2, o delegado titular Ruchester Marreiros, da 122ª Delegacia de Polícia Civil (122ª DP), de Macabu, deu novos detalhes sobre a prisão do suspeito.
Segundo ele, a nova prisão do empresário aconteceu na saída da audiência de custódia, quando Hudson Schelles Meireles seria colocado em liberdade, mesmo com todos os indícios de sua participação no disparo que vitimou Lorran Cristo Gomes, de 13 anos, na RJ-182.
O investigado foi preso em flagrante na última sexta-feira, 27 de janeiro, pelo crime de porte ilegal de arma de fogo, após investigações que apontaram possível ocultação de uma 2ª arma que pode ter sido utilizada no crime.
Segundo o delegado Ruchester Marreiros, a prisão temporária foi representada no sábado, 28, após o avanço das investigações e a consolidação de novos elementos probatórios, temendo que ele pudesse ser colocado em liberdade.
“Nós representamos pela prisão temporária assim que reunimos os elementos necessários. A medida foi deferida no mesmo dia. Sabíamos que ele passaria por audiência de custódia e, por isso, nos deslocamos até Campos para cumprir imediatamente o mandado”, afirmou o delegado.
De acordo com o delegado, que questionou o sistema judicial, o suspeito foi preso pelos agentes da 122ª DP no momento que deixava a audiência de custódia, realizada em Campos dos Goytacazes, nesse domingo.
“Estávamos no local para garantir o cumprimento da decisão judicial. Assim que foi concedida a liberdade provisória em relação ao flagrante, demos voz de prisão pelo mandado temporário. Ele assinou a ciência da nova ordem judicial e permaneceu preso”, explicou Ruchester Marreiros.
Sócio da empresa Meireles Pescado, o empresário Hudson Schelles Meireles é apontado como principal suspeito do disparo que matou Lorran Cristo Gomes, na noite de 31 de janeiro, que estava dentro do carro com o pai, a mãe e o avô, que voltavam da festa de formatura da mãe, realizada em Macaé.
O crime teria acontecido por volta das 22h55, quando uma pessoa dentro de uma caminhonete Toyota Hilux que vinha sentido contrário teria atirado contra o carro da família, atingindo Lorran na cabeça.
O menino chegou a ser levado para um hospital em Macaé, onde foi internado em estado gravíssimo na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) pediátrica, mas não resistiu ao ferimento e faleceu no último dia 3 de fevereiro.
Durante as investigações, os policiais da 122ª DP identificaram contradições relevantes no interrogatório do empresário, que admitiu ser o único que usa o carro da empresa, especialmente quanto à existência de uma 2ª arma registrada em seu nome.
Na última sexta-feira, 27, durante cumprimento de mandados de busca e apreensão em 2 endereços em Macaé, um imóvel na Barra de Macaé e outro no Condomínio Vale dos Cristais, a polícia teria apreendido a Toyota Hilux e 7 armas.
Ao fazer uma verificação de registros, porém, a polícia teria encontrado outra arma no nome do empresário, que teria registro no Exército, e que, segundo o suspeito, estaria em uma propriedade rural em Macabu, próxima à divisa com Santa Maria Madalena.
Porém, ao chegar à propriedade, depois de percorrer 30 quilômetros em via de difícil acesso, os policiais não conseguiram encontrar a arma, ouvindo uma nova versão sobre o ocorrido, que a polícia classificou como falaciosa.
“Ele tentou indicar o paradeiro dessa arma, numa propriedade rural. Talvez para tentar pensar em outra versão. Conduziu a gente até um local onde ele já sabia que a arma não estaria. Tanto que ele ficou chocado ao ver a polícia chegando na casa dele”, contou o delegado da 122ª DP.
Para o delegado Ruchester Marreiros, é justamente essa arma que pode ter sido utilizada no disparou que matou o jovem Lorran, e que segue como foco das investigações de acordo com o responsável pelo caso.
“Há fundada suspeita de que esta 2ª arma seja, em tese, a provável utilizada no homicídio. Seguimos trabalhando com base em provas técnicas e perícias para elucidar completamente o caso”, concluiu o delegado.