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Interior entra no centro da disputa pelo governo do Rio

Douglas Ruas e Eduardo Paes em montagem com referências da Costa do Sol e Norte Fluminense, regiões estratégicas na disputa pelo governo do RJ em 2026. Crédito: IA/Clique Diário.

Paes e Ruas aceleram agendas entre Macaé e Saquarema em corrida por prefeitos, royalties e influência política fora da capital

A eleição para o governo do Rio em 2026 começou a mudar de eixo. O interior fluminense, durante anos tratado como extensão eleitoral da capital, passou a ocupar posição central na estratégia dos principais grupos políticos do estado. O movimento ficou evidente nas últimas semanas com a intensificação das agendas de Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) na Região dos Lagos e no Norte Fluminense.

As visitas deixaram de ter caráter protocolar. Almoços políticos, reuniões reservadas com prefeitos, caminhadas em áreas comerciais e encontros com empresários passaram a funcionar como demonstrações antecipadas de força em uma região que ganhou peso econômico, eleitoral e estratégico nos últimos anos.

Ruas abriu sua circulação política pelo interior com agendas em Búzios e Cabo Frio. Em Búzios, esteve com o prefeito Alexandre Martins (Republicanos), vereadores e empresários ligados ao turismo. Depois do almoço político na Rasa, caminhou pelo Centro da cidade antes de seguir para Cabo Frio, onde se encontrou com o prefeito Dr. Serginho (PL), um dos nomes mais alinhados ao projeto do partido na região.

O roteiro expõe uma prioridade do PL: consolidar uma faixa territorial politicamente alinhada entre Saquarema, Araruama, Cabo Frio, Búzios, Rio das Ostras e Macaé. É um corredor que mistura cidades com arrecadação elevada, presença conservadora crescente, influência evangélica, expansão imobiliária e dependência direta da economia do petróleo.

Paes percebeu cedo o mesmo fenômeno. O prefeito do Rio começou a ampliar agendas no interior em uma tentativa de romper a imagem de candidatura excessivamente concentrada na capital e na Região Metropolitana. A avaliação entre aliados é de que nenhuma candidatura hoje consegue chegar competitiva ao segundo turno sem presença efetiva no interior.

Essa mudança acontece em paralelo a um enfraquecimento do centro tradicional de poder estadual. A crise política que atingiu o entorno do governo Cláudio Castro (PL), somada às turbulências envolvendo Executivo e Alerj, abriu espaço para um crescimento da influência dos prefeitos.

Hoje, lideranças municipais têm mais autonomia política, maior controle regional e capacidade real de interferir na formação das chapas estaduais. Em cidades médias do interior, prefeitos deixaram de funcionar apenas como cabos eleitorais e passaram a atuar como operadores políticos centrais.

O peso econômico da região acelerou esse processo. Macaé se consolidou como capital da indústria offshore. Rio das Ostras ampliou arrecadação e influência regional. Cabo Frio e Búzios se fortaleceram no turismo, no mercado imobiliário e nos serviços. Saquarema virou referência de organização política e capacidade administrativa dentro do campo conservador.

A disputa dos royalties no Supremo Tribunal Federal aprofundou ainda mais a centralidade do interior. Prefeitos passaram a atuar em bloco e transformaram o tema em instrumento político regional.

O prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto, ganhou projeção estadual ao vocalizar o risco fiscal para cidades produtoras. Em Macaé, Welberth Rezende também ampliou participação nas discussões sobre desenvolvimento regional, infraestrutura energética e impacto das decisões do STF sobre a economia fluminense.

O debate deixou de ser apenas técnico. Royalties passaram a funcionar como discurso de identidade territorial. Prefeitos defendem compensação pelos impactos da exploração do petróleo e tentam construir uma narrativa de resistência econômica do interior diante do centralismo político do estado e da União.

Ao mesmo tempo, pautas antes locais começaram a ganhar dimensão eleitoral estadual. O avanço da crise ambiental do Rio Una, problemas de saneamento, pressão urbana sobre cidades turísticas, mobilidade na BR-101, segurança pública regional e crescimento desordenado passaram a aparecer no radar dos pré-candidatos.

Existe também uma mudança silenciosa no comportamento político da região. O eleitor da Costa do Sol responde cada vez menos ao peso tradicional da televisão e mais à presença física e contínua das lideranças. Caminhadas, encontros locais, agendas públicas e interlocução direta voltaram a ter força política.

É nesse cenário que Ruas tenta consolidar a base conservadora ligada ao PL enquanto Paes busca ampliar presença em territórios onde historicamente teve menos capilaridade.

A corrida ainda está em estágio inicial e segue aberta. Mas uma percepção já se consolidou entre os grupos políticos: o caminho para o Palácio Guanabara passa, obrigatoriamente, pelas cidades entre Macaé e Saquarema.

 

 

 

Imagem ilustrativa gerada por IA/Clique Diário.
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