Investigação afirma que ex-presidente da Alerj influenciava nomeações no primeiro escalão de Cláudio Castro e ampliou controle político sobre áreas estratégicas do Estado
A Polícia Federal concluiu que o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, acumulou influência sobre decisões centrais do governo fluminense, incluindo indicações para secretarias estratégicas da gestão de Cláudio Castro.
As conclusões aparecem na representação enviada ao Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de loteamento político da máquina pública, influência sobre órgãos estaduais e esquemas de corrupção envolvendo agentes públicos.
Segundo a PF, Bacellar ampliou o alcance político da Alerj sobre estruturas tradicionalmente controladas pelo Executivo.
“Sob a administração de Rodrigo Bacellar a Alerj potencializou sua influência na tomada de decisões que estariam inseridas no rol de prerrogativas do Governador do Estado”, afirma o relatório.
Os investigadores citam diretamente influência política sobre nomeações nas secretarias de Fazenda, Educação, Assistência Social, Polícia Militar e, em determinado momento, Polícia Civil.
A PF não detalha quais secretários teriam sido indicados por Bacellar nem apresenta registros formais dessas nomeações. A investigação sustenta, porém, que o deputado possuía força política suficiente para interferir na composição do primeiro escalão estadual.
O relatório descreve ainda uma mudança no centro real de poder do estado.
“No Rio de Janeiro o parlamento é, de fato, a estrutura central do poder”, registra outro trecho da representação.
Segundo a investigação, a influência parlamentar se espalhava por batalhões da Polícia Militar, delegacias, hospitais, escolas, fundações e órgãos regionais. A PF afirma que o modelo de ocupação política da máquina pública já existia no estado, mas teria sido aprofundado durante a ascensão de Bacellar na Assembleia.
Os investigadores relacionam esse crescimento à fragilidade política enfrentada por Cláudio Castro ao longo do mandato, marcado por crises e sucessivos desgastes.
De acordo com a representação enviada ao STF, “a possibilidade de prisão ou cassação sempre esteve no horizonte”, cenário que teria ampliado o espaço político ocupado pela Alerj dentro do governo estadual.
A eleição unânime de Bacellar para a presidência da Assembleia também é apontada pela PF como demonstração da influência acumulada pelo parlamentar sobre a estrutura política fluminense.
A Operação Unha e Carne ganhou novo peso após a prisão do deputado Thiago Rangel, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo a PF, parlamentares ligados ao grupo político investigado exerciam influência regionalizada sobre estruturas do Estado.
Parte das conclusões foi reforçada após a apreensão de um computador na sala do então chefe de gabinete de Bacellar, Rui Carvalho Bulhões Júnior. Segundo os investigadores, o material continha planilhas e estruturas relacionadas à distribuição política de cargos públicos.
O caso segue sob investigação no STF. Até o momento, não há condenação definitiva dos envolvidos.
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