Discursos na sessão da Câmara de Macaé contrastaram atual relação entre Executivo e Legislativo com período de forte desgaste institucional na gestão anterior
A sessão desta terça-feira (12) na Câmara de Macaé terminou como uma espécie de acerto político de contas entre passado e presente da relação entre Executivo e Legislativo no município. O que começou com homenagens ao 32º BPM rapidamente avançou para um debate mais profundo sobre poder, desgaste institucional e memória política recente da cidade. À Câmara, com aval do presidente da Casa, Alan Mansur (CIDADANIA), entregou, por aprovação unanime, moção de aplausos à PM de Macaé.
O vereador Cesinha assumiu o protagonismo da sessão ao elogiar publicamente a relação construída pelo governo Welberth Rezende com a Câmara Municipal e, ao mesmo tempo, reabrir feridas políticas do período do ex-prefeito Dr. Aloísio. “Nunca na história de Macaé eu vi um prefeito respeitar tanto a Câmara quanto Welberth”, afirmou.
A fala não surgiu isolada. Ela apareceu em meio a um discurso sobre articulação política, segurança pública e interlocução institucional entre município e Governo do Estado. Ao defender a homenagem à Polícia Militar, Cesinha citou a atuação do 32° Batalhão de Polícia Militar (32BPM), como também da Polícia Civil, citando comandante e delegado, além de associar o fortalecimento das forças de segurança à aproximação política construída pelo atual governo municipal com o Governo do Estado.
Policiais militares homenageados durante sessão da Câmara de Macaé. Crédito: Clique Diário
No centro da fala, porém, estava outro recado: a ideia de reconstrução institucional após anos de conflito entre Prefeitura e Câmara. “Se for bom para Macaé, estarei sentado em qualquer mesa”, disse Cesinha ao reproduzir frase atribuída a Welberth.
O discurso ganhou peso político quando o vereador passou a comparar diretamente a atual gestão com gestões passadas. Cesinha classificou aquele momento como “tempos obscuros” e afirmou que requerimentos parlamentares deixavam de ser respondidos pelo Executivo.
Segundo ele, o ambiente era marcado por tensão permanente entre os poderes e sucessivos episódios de desgaste político. O vereador afirmou ainda que o ex-prefeito teria chegado a declarar que “sairia preso, mas não iria à Câmara”, frase que provocou reação imediata no plenário. A fala abriu espaço para uma espécie de catarse coletiva entre vereadores veteranos da Casa.
O vereador Amaro Luís (PV) reforçou o discurso e disse que a atual gestão promoveu um “desvio inteligente” em relação ao modelo político anterior.
Em tom emocional, Luciano Diniz (CIDADANIA) disse que Cesinha “lavou a alma” dos parlamentares que viveram o período de enfrentamento institucional entre Prefeitura e Legislativo. Na sequência, afirmou que os parlamentares mais novos “não sabem o que foi viver uma gestão anterior a Welberth”.
Após cinco mandatos na Câmara, Diniz classificou o momento como um desabafo coletivo de vereadores que, segundo ele, enfrentaram anos de judicialização, desgaste político e dificuldades de interlocução com o Executivo.
Em Macaé, cidade com forte peso econômico e político no interior fluminense, a relação entre Prefeitura e Câmara voltou ao centro do debate durante a sessão. Os discursos destacaram o atual ambiente de diálogo entre os poderes e relembraram as dificuldades de interlocução registradas em períodos anteriores da política municipal.
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