Demorou quase 13 anos, mas o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa (DC), anunciou sua pré-candidatura à presidência da república depois de se filiar ao Democracia Cristã (DC) no último sábado, 16.
Para quem não entendeu a referência, Joaquim Barbosa, ainda ministro do STF, era apontado como um dos favoritos nas primeiras pesquisas eleitorais para o pleito de 2014, durante o período de manifestações populares de 2013, que ficou conhecido como “Jornadas de Junho”.
Lembrado como apartidário, o movimento levou a população às ruas em mais de 140 cidades em todo país, cobrando desde pautas locais até outras de âmbito nacional, como fim da violência policial, do foro privilegiado para políticos, e a rejeição à PEC 37, que propunha incluir a apuração de investigações criminais como atividade privativa da polícia judiciária.
Ministro do STF entre 2003 e 2014, Joaquim Barbosa ganhou projeção nacional em 2012, como 1º negro a presidir a Suprema Corte também ao atuar como relator do escândalo do “Mensalão”, que investigava pagamentos a parlamentares em troca de votos no Congresso.
Em reportagem do site Olhar Direto, de junho de 2013, uma pesquisa do Datafolha, com eleitores de São Paulo, apontava o então ministro do STF como disparado na liderança, com 30% das intenções de votos, seguido por Marina Silva (sem partido), com 22%, e Aécio Neves (PSDB-MG), com 5%, e Eduardo Campos (PSB-PE), com 1%.
O anúncio da pré-candidatura de Joaquim Barbosa aconteceu nesse sábado, 16, e já coloca o ex-ministro do STF diante de sua 1ª disputa, que deve ser interna, já que o ex-deputado federal Aldo Rebelo (DC-SP) já teve sua pré-candidatura à presidência anunciada pelo partido, no início desse ano.
E nota, o presidente nacional do partido e ex-deputado federal, João Caldas (DC-AL), justificou o anúncio da pré-candidatura de Joaquim Barbosa pela necessidade de “união nacional”, diante de um cenário em que as instituições precisam recuperar a confiança dos brasileiros, curiosamente, confiança essa que começou a ruir em 2013.
“A Presidência Nacional do Democracia Cristã (DC) informa que está firmada a pré-candidatura do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa à presidência da República. O Brasil urge. O povo brasileiro merece um novo capítulo em sua história. Joaquim Barbosa representa a possibilidade de união nacional e reconstrução da confiança do povo brasileiro nas instituições. Sua trajetória honra os valores republicanos e responde ao desejo de mudança da sociedade brasileira. O momento exige união, propósito e desprendimento. O Brasil está acima de projetos pessoais. A Presidência Nacional do DC convida toda a sociedade brasileira a abraçar essa candidatura de reconstrução nacional”, dizia a nota.
O anúncio, porém, gerou resposta imediata de Aldo Rebelo, que usou as redes sociais para reafirmar sua pré-candidatura e criticar o anúncio do partido com o nome de Joaquim Barbosa, considerado “uma afronta”.
“Minha pré-candidatura à presidência da República está mantida, conforme convite da direção do Democracia Cristã. Candidaturas são projetos coletivos e não de grupos e interesses específicos. Fui escolhido para levar adiante um projeto de união e desenvolvimento do Brasil, ancorado na minha biografia sem mácula e na minha experiência na administração pública e no Congresso Nacional. A candidatura anunciada em um balão de ensaio de Joaquim Barbosa é uma afronta a tudo que acredito como relações políticas apoiadas na transparência e nas decisões democráticas”, escreveu Aldo Rebelo.
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