Uma situação inusitada aconteceu na sessão dessa quarta-feira, 10, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), quando o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), apareceu com duas bandejas de pão com ovo para os colegas de plenária.
Em tom ao mesmo irônico e de brincadeira, segundo quem estava no local, o parlamentar, que será o próximo presidente da Comissão de Direitos Humanos na Casa, fez referência a um caso de homofobia ocorrido na Câmara Municipal do Rio.
Na ocasião, o vereador Marcelo Diniz (PSD), ao criticar a gestão do ex-secretário de Saúde do Rio, Daniel Soranz (PSD), chamando-o de “vagabundo” e utilizando a expressão “bicha pão com ovo” ao se referir ao colega de partido.
“A pior Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro é na capital do Rio de Janeiro. E tem um nome, o dono dela se chama Daniel Soranz. Secretário, você é um vagabundo. Você está mexendo com a pessoa errada. Aqui tem homem! Eu sou vereador na cidade e sou homem. Você entrou numa guerra que você não vai vencer. Nem a própria classe da Saúde vota em você. Ninguém gosta de você. Bicha pão com ovo!”, discurso Marcelo Diniz, na plenária da Câmara do Rio.
Nessa quarta, Alexandre Knoploch resolveu fazer referência ao caso ocorrido no dia anterior, enaltecendo a “iguaria” e oferecendo os lanches para os colegas parlamentares, inclusive para o presidente da Alerj, deputado estadual Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo estadual.
“Ontem (terça, 9) foi falado de uma das maiores iguarias do município do Rio de Janeiro, que é o pão com ovo; da gastronomia, oferecida pelo nosso ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que é o pão com ovo. Tem picolé e tem pão com ovo. Então, presidente, estou oferecendo aqui pão com ovo para os deputados. Quem quiser, tá? Mas cuidado, cuidado que esse pão com ovo pode estar contaminado”, teria dito o deputado estadual.
Referências à parte, o caso de homofobia vai parar na Comissão de Ética da Câmara do Rio e na Justiça, já que Daniel Soranz ingressou com representação no Legislativo e anunciou que entrará com processos civil e criminal contra Marcelo Diniz.
“Não passam despercebidas a carga intimidatória das expressões ‘você está mexendo com a pessoa errada’ e ‘você entrou numa guerra que não vai vencer’, reforçadas pela masculinidade que as acompanha. Conquanto a indeterminação do mal anunciado possa suscitar controvérsia quanto à tipificação penal autônoma da ameaça (artigo 147 do Código Penal), o que aqui releva é o propósito manifesto de intimidação somada à ofensa discriminatória, inscrevendo o episódio no campo da violência política”, escreveu Daniel Soranz na representação à Casa.
De acordo com quem acompanha os bastidores da política carioca, o caso entre os 2 membros do mesmo partido e que concorrerem à Câmara Federal, teria sido motivado por “ciúme”, depois que Daniel Soranz esteve em comunidades do Itanhangá, na Zona Sudoeste do Rio, reduto de Marcelo Diniz, que tentou se desculpar nas redes sociais.
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