Preso pela Polícia Federal (PF) nessa terça-feira, 5, o deputado estadual e ex-vereador de Campos dos Goytacazes, Thiago Rangel (AVANTE), foi o 3º parlamentar fluminense preso por suposto envolvimento com o crime organizado.
De acordo com as investigações, Thiago Rangel era um dos aliados do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (UNIÃO), também de Campos, e também preso pela PF, em um grande esquema de fraudes e ligação com o tráfico de drogas.
Presos pela Polícia Federal, Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel tinham base eleitoral em Campos.
A prisão aconteceu como parte da 4ª fase da Operação Unha e Carne, que apontava Rodrigo Bacellar como líder da organização criminosa, sendo em seu computador pessoal que a investigação encontrou o nome de Thiago Rangel.
Nessa fase da operação, as investigações miram fraudes em compras de materiais e contratação de reformas na Secretaria Estadual de Educação do Rio, voltadas para reformas em escolas na Região Norte Fluminense, onde estava a base eleitoral de Bacellar e Rangel, em Campos.
“O esquema consistiria no direcionamento de obras de reformas em escolas públicas estaduais do Norte Fluminense – região de influência política tanto de Rodrigo da Silva Bacellar quanto do deputado estadual Thiago Rangel de Lima – para empresa pré-ajustadas com integrantes de organizações criminosas”, explica a PF, em trecho publicado pela Veja nessa terça-feira.
Patrimônio suspeito – Segundo as investigações, ele teria reproduzido no Estado, sob a liderança de Bacellar, o que fazia no âmbito municipal, quando foi vereador de Campos, no curto período entre 2020 e 2022, quando foi eleito deputado estadual.
Nos últimos 12 anos, Thiago Rangel passou de um salário de 1 mil reais, quando trabalhava como motorista, em 2014, para um patrimônio estimado em mais de 3 milhões de reais, registrados em 2023, apenas um ano após assumir o mandato na Alerj, que chamou a atenção da PF em outra operação, a Postos de Midas, iniciada em 2024.
Na época, Thiago Rangel havia sido alvo, por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, devido ao crescimento acelerado do seu patrimônio em apenas 2 anos.
Ao concorrer a vereador em Campos, em 2020, quando entrou para a vida pública, ele declarou bens de 224 mil reais, saltando para quase 2 milhões de reais em 2022, na eleição para deputado estadual.
Autodeclarado como empresário do ramo varejista, Thiago Rangel teve passagens por cargos na administração pública estadual, como a Superintendência Regional do Instituto de Pesos e Medidas (IPEM-RJ) e a Diretoria de Fiscalização do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro-RJ).
Segundo a PF, o deputado teria utilizado sua posição política, primeiro como vereador em Campos e depois na Alerj, para viabilizar a nomeação de aliados em cargos estratégicos, permitindo a interferência em contratos públicos e facilitando fraudes em licitações e contratos da Educação estadual.
As compras e obras investigadas, que já haviam sido alvo de denúncias do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), integrante da Comissão de Educação da Alerj, também são mencionadas na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão do parlamentar.
Poder em Campos: Thiago Rangel posa ao lado da filha, a vereadora Thamires Rangel, eleita com apenas 18 anos.
“Até o presente momento, o que fora constatado é que o deputado estadual Thiago Rangel passou a administrar uma parte do esquema criminoso, àquela que estava sobre a sua influência política regional (em Campos dos Goytacazes e adjacências). Acredita-se que o esquema criminoso tenha sido partilhado entre políticos estaduais da base de apoio do ex-deputado estadual Rodrigo da Silva Bacellar, da qual o deputado estadual Thiago Rangel Lima passou a fazer parte”, diz o documento.
Ligações perigosas e filha “precoce” – As investigações mostram ainda que Thiago Rangel teria oferecido cargos na Educação estadual para pessoas indicadas pelo traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como Junior do Beco, dono de extensa ficha criminal, com condenações por homicídios simples e qualificado, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Além disso, o deputado é pai da mais jovem vereadora da história de Campos, Thamires Rangel (DEMOCRATA), eleita em 2024, com apenas 18 anos, quando terminava o ensino médio, que contou com doações de campanha na casa de 119 mil reais, dos quais 41,5 foram do próprio Thiago Rangel.
A jovem chegou a ser nomeada pelo ex-governador Cláudio Castro (PL) como subsecretária estadual adjunta de Conscientização Ambiental, mas foi exonerada nessa segunda, 4, pelo governador interino do Rio, desembargador Ricardo Couto.
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