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Quase 2,8 mil pessoas já autorizaram doação de órgãos no Rio de Janeiro

Doações estão aumentando com o passar dos anos, em uma ação que salva vidas. Foto divulgação

Dois anos após sua criação, a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) tem registrado um aumento considerável no número de solicitações no estado do Rio de Janeiro. Quase 2,8 mil cidadãos já formalizaram o desejo de ser um doador de órgãos, enquanto 2,7 mil pessoas ainda aguardam por um transplante.

A autorização foi criada pelos Cartórios de Notas e foi regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento tem contribuído de forma significativa para o fortalecimento da cultura de doação, ato que pode salvar muitas vidas. No Brasil, cerca de 46 mil pessoas ainda aguardam por transplante na fila.

De acordo com dados oficiais, desde o lançamento oficial foram contabilizadas 2.761 manifestações formais de intenção de doação de órgãos, todas elas realizadas de forma totalmente eletrônica. Tal crescimento demonstra de forma prática a consolidação da ferramenta como um importante instrumento de apoio ao sistema nacional de transplantes e também de conscientização sobre a importância da doação de doação de órgãos.

Dados do RJ Transplantes mostram que no interior do estado também há um avanço no número de doadores. Municípios do Norte e Noroeste Fluminense estão entre os que ampliaram suas participações nas ações de captação e doação de órgãos. Campos aparece na liderança entre os índices regionais de captação, enquanto Itaperuna se consolidou entre as cidades com atuação relevante no sistema estadual de transplantes.

O movimento de crescimento surge em um período onde a realidade enfrentada pelo sistema de transplantes brasileiro é delicada. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 2.7 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão no estado. Apenas em 2026, mais de 3 mil transplantes já foram realizados no país, dando sequência ao crescimento observado nos últimos anos. Entre os mais frequentes estão os de rim e fígado, que seguem concentrando a maior demanda, tanto estadual quanto nacional.

“A celebração dos dois anos da AEDO reforça a importância de iniciativas que ampliam a conscientização sobre a doação de órgãos e facilitam o acesso da população a esse ato de cidadania. Os Cartórios de Notas vêm contribuindo de forma significativa ao disponibilizar uma ferramenta segura, acessível e totalmente digital para que os cidadãos possam formalizar oficialmente sua vontade de doar órgãos”, afirma Edyanne Moura da Frota Cordeiro, presidente do Colégio Notarial do Brasil - Seção Rio de Janeiro (CNB/RJ).

Criada pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), por meio da plataforma e-Notariado, e regulamentada nacionalmente pelo CNJ por meio do Provimento nº 164/2014, a AEDO permite que qualquer cidadão realize gratuitamente sua autorização de doação de órgãos pela internet, com validação jurídica realizada pelos Cartórios de Notas.

Além do avanço tecnológico, iniciativas legislativas também passaram a incentivar a adesão ao sistema. No Paraná, por exemplo, a Lei nº 22.618/2025 passou a garantir benefícios como meia-entrada em eventos culturais e esportivos para doadores cadastrados na AEDO.

 

Como funciona a AEDO

O processo é totalmente digital e realizado por meio da plataforma e-Notariado. O interessado acessa o portal oficial da AEDO, solicita gratuitamente um Certificado Digital Notarizado, realiza uma videoconferência com um tabelião de notas e assina eletronicamente o documento indicando quais órgãos deseja doar.

A autorização passa a integrar automaticamente a Central Nacional de Doadores de Órgãos, podendo ser consultada por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes. O documento pode ser revogado a qualquer momento pelo cidadão.

 

Sobre o CNB/RJ

O Colégio Notarial do Brasil – Seção Rio de Janeiro (CNB/RJ) é a entidade de classe que representa institucionalmente os tabeliães de notas do Estado do Rio de Janeiro. As seccionais dos Colégios Notariais de cada Estado estão reunidas em um Conselho Federal (CNB/CF), que é filiado à União Internacional do Notariado (UINL). A UINL é uma entidade não governamental que reúne 88 países e representa o notariado mundial existente em mais de 100 nações, correspondentes a 2/3 da população global e 60% do PIB mundial, praticando atos que conferem publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos negócios jurídicos pessoais e patrimoniais, contribuindo para a desjudicialização e a prevenção de litígios.

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