Ex-governador recorre da decisão do TSE que o tornou inelegível até 2030; julgamento no Supremo pode influenciar cenário eleitoral fluminense
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), apresentou nesta sexta-feira (19) recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar derrubar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A ofensiva jurídica ocorre pouco mais de duas semanas após o TSE rejeitar, por unanimidade, os recursos apresentados pela defesa e manter a condenação imposta em março deste ano. A Corte entendeu que houve uso irregular de estruturas ligadas à Fundação Ceperj e à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) durante o período eleitoral.
No recurso protocolado no STF, os advogados de Castro sustentam que não há provas de participação direta do ex-governador nas irregularidades apontadas pela Justiça Eleitoral. A defesa argumenta que a decisão se baseou em responsabilidade indireta e pede a revisão tanto da inelegibilidade quanto da multa aplicada.
A disputa jurídica ultrapassa a situação pessoal de Castro e tem potencial para influenciar a corrida eleitoral fluminense. Antes da condenação, o ex-governador era apontado como um dos nomes competitivos para a disputa ao Senado em 2026. Com a inelegibilidade mantida, sua participação no pleito permanece bloqueada.
O caso também se conecta à crise sucessória que marcou o estado neste ano. Castro renunciou ao cargo em março para cumprir os prazos eleitorais, um dia antes do julgamento que confirmou sua condenação. A saída, somada à vacância da vice-governadoria após a ida de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado, abriu uma disputa institucional sobre a forma de escolha do governador-tampão, questão que também passou pelo STF.
Mais do que um recurso individual, a iniciativa de Castro representa a tentativa de manter viva uma das principais lideranças do campo conservador fluminense. A decisão do Supremo, quando vier, terá impacto não apenas sobre o futuro político do ex-governador, mas também sobre o equilíbrio das forças que disputam o comando do Rio de Janeiro nas eleições deste ano.