Mídias Sociais

Política

Áudios atribuídos a Thiago Rangel expõem suposta interferência política na Seeduc

Publicado

em

 

Mensagens obtidas na Operação Unha e Carne revelariam atuação direta do parlamentar em decisões internas da Educação estadual

 

 

A Polícia Federal (PF) divulgou novas informações sobre a Operação Unha e Carne nesta segunda-feira (18). Como desdobramento das investigações, os agentes tiveram acesso a áudios e mensagens atribuídas ao deputado estadual Thiago Rangel, onde é possível vê-lo atuando de forma direta na escolha de cargos estratégicos da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc-RJ) e inclusive negociando vagas na área para pessoas ligadas ao tráfico de drogas.

As conversas e gravações apontariam uma ligação direta de Thiago em decisões internas do órgão. Na operação, a PF suspeita que o parlamentar chefiava um esquema de fraudes em contratos de obras e serviços da rede estadual de ensino. Ele também é acusado de lavagem de dinheiro envolvendo empresas e uma rede de postos de combustíveis.

Em um dos áudios, o deputado teria entrado em contato com a diretora regional de Educação do Noroeste Fluminense, Júcia Gomes de Souza Figueiredo. Na conversa, Thiago teria ordenado o que devia ser feito na estrutura da educação.

“Júcia, continua aí do jeito que você tem que estar. Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. Eu não tenho que dar satisfação a ninguém. O deputado sou eu. A indicação é minha e quem manda sou eu”.

A PF informa que essa mensagem teria sido enviada em agosto de 2024. Ela foi extraída do celular de Júcia, que também acabou sendo presa na operação. Segundo informações, naquele momento ela comandava a Regional Noroeste da Seeduc, responsável por 57 escolas estaduais distribuídas em 13 cidades do Norte e Noroeste Fluminense, com mais de 3.200 servidores.

Ainda segundo a linha de investigação, o áudio demonstra que Júcia teria sido indicada diretamente por Thiago Rangel, mantendo uma espécie de relação de subordinação política ao deputado dentro da estrutura da Secretaria de Educação. Os investigadores também afirmam que ela exercia função “vital” para o funcionamento do esquema criminoso, justamente por coordenar administrativamente dezenas de escolas estaduais.

A Polícia Federal também teve acesso a outras mensagens, onde é possível demonstrar a relação de Thiago Rangel com Arídio Machado da Silva Júnior, mais conhecido como “Júnior do Beco”, apontado como traficante de alta periculosidade, tendo antecedentes criminais por homicídios e tráfico de drogas. Segundo a investigação, Thiago teria reservado vagas de “auxiliar de serviços gerais” na área da Educação para indicações feitas por “Júnior do Beco”.

Essas conversas vieram do celular de Fábio Pourbaix Azevedo, homem apontado como espécie de braço direito de Thiago. Ele também foi preso na operação. Na investigação, a PF afirma que Fábio pediu a Thiago o contato do traficante para saber quem seriam os indicados para os cargos. Em seguida, o deputado envia um telefone salvo como “Junior Beco”.

De acordo com os investigadores, Thiago afirma que possuía oito vagas disponíveis na Educação e que uma delas deveria ser destinada a um indicado do traficante.

Thiago Rangel está preso há 13 dias. As conversas fazem parte do inquérito que levou a sua prisão preventiva, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de abril.

 

Mais lidas da semana