A Câmara de Macaé ficou sem luz durante a sessão ordinária realizada na manhã dessa quarta-feira, 25, que precisou ser interrompida justamente no momento em que os vereadores questionavam a qualidade dos serviços prestados pela Enel.
O fato inusitado aconteceu durante o Grande Expediente da sessão dessa quarta, quando a Frente Parlamentar que trata dos problemas frequentes de falta de energia na cidade convocou representantes da concessionária para prestar esclarecimentos.
Depois de uma apresentação feita pela diretora de Relações Institucionais da Enel, Andreia Andrade, quando os vereadores cobravam mais ações concretas para resolver os problemas da população, veio o apagão que interrompeu a sessão.
“Não pode a Câmara de Macaé, de Carapebus, de Conceição de Macabu, de Rio das Ostras, de Casimiro de Abreu, convocar a Enel e a gente só ver um painel lindo, uma demonstração linda, mas o resultado na ponta, não tem. Quem é o resultado na ponta? Investimento. Responsabilidade da empresa Enel, que até então, não tem nenhuma”, criticou o vereador Cesinha (CIDADANIA).
A situação, que retrata o descaso com que a cidade vem sendo tratada pela Enel, foi tão constrangedora que era visível no semblante de cada parlamentar e até mesmo dos representantes da própria concessionária.
“Como presidente da Frente, Andreia, acho que vocês podem perceber aqui o sentimento de cada vereador, cada cobrança, e a gente sabe muito bem o que é ser cobrado pela população. E a pergunta fica, Andreia, diretamente a senhora, que resposta nós vamos trazer para a população que seja efetiva? Qual é a resposta imediata que a população vai escutar da senhora e dos senhores que aqui estão quando se trata da região serrana?”, questionou o vereador Tico Jardim (CIDADANIA).
O parlamentar lembrou ainda uma situação ainda pior que enfrentou na serra, quando precisou ajudar uma moradora idosa, acamada, que ficou 5 dias sem energia, problema que vem se repetindo em várias localidades da região serrana do município.
“Que informação que eu vou trazer para o morador do Sana que fica 4 dias sem energia? Uma localidade que recebe 5 mil turistas num final de semana e não tem uma carga alimentadora para fornecer uma luz para os comerciantes que vivem daquilo, a rede hoteleira? É essa resposta que nós queremos trazer!”, acrescentou Tico Jardim.
Presidente da Câmara, o vereador Alan Mansur (CIDADANIA) foi outro que subiu o tom das cobranças, exigindo uma solução imediata dos representantes da Enel, que também foi representada pelo diretor de operações da Unidade Territorial Norte, José Dimas Alcarde, e pelo gerente da base de Macaé, Marcelo Maciel.
“Eu estou no meu 3º mandato. Já escutei a Enel aqui diversas vezes. Quando que vai resolver a questão da região serrana e da nossa cidade de uma vez por todas? Para a gente não estar convocando vocês aqui toda vez, 1 mês, depois convoca duas, 3 vezes no ano, depois fala que vai investir e não tem investimento e não resolve nada”, disparou Alan Mansur.
Respostas e mais cobranças – Em resposta a tantas críticas e cobranças, a diretora de Relações Institucionais da Enel, Andreia Andrade, afirmou que a apresentação sobre ações de curto prazo foi feita apenas com intuito de permitir o acompanhamento dos vereadores, mas que a empresa tem sim um planejamento de longo prazo para resolver os problemas de falta de energia na cidade.
De acordo com ela, o planejamento da Enel, que prevê investimentos de 6,1 bilhões de reais em todo o Estado do Rio, engloba um período de 3 anos, tendo sido iniciado em 2025 e com previsão de conclusão em 2027.
“Esses 6 bilhões, que são desdobrados para cada um dos municípios ou para as macrorregiões, ele existe, também pode ser e será apresentado, mas a ideia aqui foi trazer o planejamento de curto prazo para a gente ver as ações imediatas. Mas tem sim um planejamento de médio e longo prazo, como deve ser feito. Não só de ações preventivas, corretivas, mas também investimentos mais estruturantes”, afirmou Andreia Andrade.
Segundo o diretor de operações da Unidade Territorial Norte da Enel, José Dimas Alcarde, o planejamento de investimentos para a região inclui 168 obras, com 12 quilômetros (km) de recondutoramento, que consiste na substituição dos cabos, aumentando a capacidade e a segurança contra acidentes, como os causados por quedas de árvores, por exemplo, além de outras ações.
“Um ponto importante, que é um dos investimentos que a gente tem, foram 44 religadores, 10 equipamentos de telecomando que nós colocamos na rede, e temos mais 8 previstos para a esse ano. Esse equipamento, ele consegue fazer uma manobra na rede de forma automática, que foi o caso até que nós sentimos hoje aqui. Se nós pensássemos a alguns anos atrás, uma falta dessa precisaria mandar uma equipe, a equipe chegar lá, fazer todo o procedimento de trabalho para depois fazer uma manobra, outra equipe ir para um outro ponto, fazer outra manobra, e a gente está falando provavelmente de horas. Quando a gente faz esse automatismo na rede, vocês viram, foram minutos. Lógico, tem internet, todo um processo para retomar, mas é um processo mais rápido devido a esse automatismo da rede”, explicou José Dimas Alcarde.
Apesar das explicações técnicas, as respostas não atenderam às demandas dos vereadores, nem da população, que agora espera que o apagão da Câmara ajude a pressionar ainda mais a concessionária por soluções para os moradores da cidade.