Um caso que chocou Macaé e região está perto de seu desfecho final. Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (27) a polícia trouxe os desdobramentos do caso envolvendo Lorran Cristo Gomes, adolescente de 13 anos que morreu baleado na RJ-182 na altura de Conceição de Macabu, quando voltava de uma festa de formatura da mãe em Macaé.
Com base no trabalho de investigação e com o auxílio de tecnologia de ponta, a polícia conseguiu reconstruir a dinâmica dos fatos e chegar aos suspeitos. Foi apresentada para a imprensa uma breve simulação do incidente, comandada pelo delegado titular da 122ª Delegacia de Polícia de Conceição de Macabu, Ruchester Marreiros. A princípio, a polícia acredita se tratar de um crime banal por motivo fútil. Ele está sendo classificado como homicídio qualificado e ainda não é possível identificar se é por dolo direto ou dolo eventual, ou seja, se o acusado atirou para matar ou se queria assustar a vítima. O principal suspeito também não teria relação alguma com a vítima a princípio.
Na manhã desta sexta-feira (27) foram cumpridos mandados de busca e apreensão em dois endereços de Macaé, um imóvel na Barra de Macaé e outro no condomínio Vale dos Cristais. Foram apreendidas 7 armas de fogo durante a ação. O próximo passo será a realização do confronto balístico, que vai esclarecer se os projéteis encontrados no veículo da vítima são compatíveis com as armas apreendidas. Os principais suspeitos são dois empresários do setor de pesca e moradores de Macaé. Eles possuem posse de arma, de acordo com polícia.
“Sabemos que o disparo foi realizado de curto alcance e até a hora aproximada em que a vítima foi atingida, por volta das 22h55min. O veículo compatível já foi identificado e os possíveis envolvidos. Eles são empresários de Macaé. O resultado ainda não é conclusivo. O confronto balístico deve ficar pronto em 10 dias. Estamos no auge da investigação e com o resultado muito próximo de chegar a uma resolução definitiva”, contou o delegado Ruchester.
O veículo investigado é uma Hilux blindada. De acordo com o delegado, a linha de investigação aponta que o disparo muito provavelmente partiu do próprio motorista do veículo. “Estamos afunilando para um suspeito. O disparo não foi realizado na traseira do veículo. Só pode ter sido da janela do motorista. A característica do veículo restringe a possibilidade. O investigado assumiu estar no local do crime e ter presenciado algo parecido com um assalto”, esclareceu o delegado.
A polícia também acredita não ser um crime premeditado. “Ninguém espera o outro veículo vir na direção contrária a uma velocidade de 100 km/h na estrada para realizar um disparo. Essa dinâmica não bate com as características de um crime premeditado. Ainda não sabemos claramente a motivação do crime. Pode estar relacionado a algum tipo de irritação do autor com o outro motorista, como por exemplo um farol alto. Também pode ter relação com excesso de consumo de bebida alcóolica ou uso de drogas”, pontuou o delegado.
Por fim, o delegado mandou um recado para a família: “Confie no trabalho da polícia. Não é porque foi em uma cidade pequena que não vamos nos empenhar para solucionar o caso. Nos temos como regra não banalizar a vida. Temos a obrigação de dar uma resposta e isso faz parte do nosso dever”, disse Ruchester.
A operação contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal e as câmeras de segurança instaladas pela Prefeitura de Macaé, que foram essenciais para ajudar na identificação do veículo. A SKY X TECNOLOGIA também foi crucial para auxiliar na reconstrução do crime.