Proprietário do Posto de Combustível Modelo, Daniel Teixeira da Silva, atribui o aumento ao custo alto em Macaé, folha de pagamento e encargos, inadimplência de empresas, aluguel, taxa de cartão, consumo de energia elétrica e frete.

Nos últimos meses, os macaenses têm sido pegos de surpresa ao abastecer em postos de combustível na cidade. Ao chegarem às bombas, se assustam com o atual preço da gasolina em Macaé. Em alguns estabelecimentos, os preços chegam a R$ 4,69 e quem paga esta conta alta: o consumidor. Mas é importante ressaltar que por trás deste aumento, existem importantes pontos.

Segundo o proprietário do Posto de Combustível Modelo, localizado na Ajuda de Cima em Macaé, Daniel Teixeira da Silva, o aumento da gasolina na cidade deve ser atribuído aos seguintes fatores: custo alto em Macaé, folha de pagamento e encargos de funcionários dos postos de combustível, inadimplência de empresas, aluguel do estabelecimento, taxa de cartão, consumo de energia elétrica e frete.  “São as companhias que repassam o aumento aos postos. Elas são as grandes responsáveis por isso, mas quem paga a conta, somos nós, donos de postos e, principalmente, o consumidor, mas quem sai como ladrão, somos nós, os proprietários dos estabelecimentos”, ressaltou Silva.

A Petrobras cobra R$ 1.05 pelo litro da gasolina nas refinarias, mas os motoristas da região pagam, no mínimo, R$ 2, 799 pelo combustível nos postos, segundo pesquisa a ANP (Agência Nacional do Petróleo).

De acordo com dados do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Loja de Conveniência do Município do Rio de Janeiro (SindComb), a margem (diferença entre preço de compra e de revenda) nos postos da região fica entre R$ 0,30 e R$ 0,80, aproximadamente, dependendo do preço cobrado do consumidor.

O governo do Estado fica com R$ 0,90 por litro, depois repassa R$ 0, 225 desse valor para os municípios. O governo federal leva R$ 0, 3687 a cada litro de combustível.

Como se forma o preço da gasolina

Em cada litro de gasolina que o motorista põe no tanque, a quarta parte é de etanol anidro, que é misturado ao combustível derivado de petróleo. Assim, dos R$ 1,05 que a Petrobras cobra pelo litro de combustível, só R$ 0, 7939 entram no cálculo do preço da gasolina. Os 25 mililitros de etanol anidro, misturado a combustível, custam R$ 0, 34010, o que já começa a encarecer o produto.

O alto custo em Macaé

Um dos principais “vilões no aumento da gasolina, segundo Daniel, é o alto custo em Macaé.  O empresário, durante entrevista, explicou que preço de custo de distribuidoras da Ipirganga, BR e Shell, em Campos dos Goytacazes, é R$ 3,60, com frete. “A gasolina de Campos vai para Duque de Caxias, de bombeio, e volta para Campos. Então, o frete lá é R$ 0,14 e aqui em Macaé é R$ 0,10. Como em Campos dos Goytacazes, há em média, 140 postos de combustível, sendo que alguns é bandeira branca, estes estabelecimentos puxa o mercado para baixo.

Ainda de acordo com Daniel Teixeira, a gasolina em Macaé, atualmente é comprada a R$ 4, 20, com frete. Já em Campos, a compra custa R$ 3,60. “Automaticamente, o nosso preço, direto na bomba, está R$ 1,00 mais caro que em Campos. Isso se falando de uma gasolina boa, de posto de combustível com bandeira. O custo de Campos é mais barato. Como o mercado lá é grande e possui muitos postos de bandeira branca, o preço é menor”.

Segundo Daniel, as distribuidoras como a Ipiranga, bandeira do Posto de Combustível Modelo, vende o combustível em Macaé a R$ 0,60 mais caro do que em Campos dos Goytacazes, BR 101 e Zona Norte do Rio de Janeiro.  “Se tem alguém  que ganha muita na venda de combustíveis em Macaé não é a Revenda e sim o Governo,  com mais 200% de impostos em todas as fases de venda e as Distribuidora, que ganham  mais 0,70 centavos no litro,  vendendo ao atacado e com todas as garantia da revenda”, explicou.

A margem bruta, segundo o empresário, hoje em Macaé é de 8%, ou seja, R$ 0,44 de bruto na gasolina, por exemplo. “Isso não paga nossas despesas mensais, que são no mínimo, 15%. “O Sindestado (Sindicato dos Postos no Rio de Janeiro) sugere uma margem mínima de  20% para posto revendedor, ou seja,  estamos trabalhando 12% a menos que a margem mínima para sobreviver na revenda e ainda somos taxados  como os ladrões do segmento de revenda”, concluiu.

Daniela Bairros

Crédito: Igor Faria