Gerente geral da UO-BC da Petrobras fala sobre revitalização dos campos maduros

 

Tunan Teixeira

 

Como parte das comemorações dos 40 anos de produção da Bacia de Campos, a Petrobras promoveu nesta quinta-feira, 17, um encontro com a imprensa para apresentar pela primeira vez o Laboratório de Rochas, que fica na base da empresa entre a Praia Campista e Praia da Imbetiba.

O encontro serviu para que o gerente geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Campos (UO-BC), Marcelo Batalha, confirmasse que a Petrobras não tem interesse em deixar Macaé, como alguns “profetas do apocalipse” vêm alardeando desde o ano passado.

“Não há nenhuma intenção da Petrobras deixar Macaé. Macaé é o nosso principal centro offshore, além da gente ter 35% do nosso estoque geral aqui em Macaé. Mesmo com algumas concessões chegando ao fim, a nossa maior base offshore continuar sendo em Macaé. E continuará sendo”, afirmou Batalha.

No início do evento, o gerente geral ofereceu alguns números sobre a produção da Bacia de Campos, e comentou sobre contratos de concessão, desmobilização, e, claro sobre a importância da Bacia de Campos e investimentos futuros da Petrobras ma região.

“O ano de 2017 é especialmente importante para nós, tempo de comemorar os 40 anos de produção da Petrobras na Bacia de Campos. Sua expressiva contribuição é um número positivo não só para a Petrobras, mas também para Macaé e região, já que a companhia continua investindo em suas bases para gerir as operações desta bacia e dar suporte à logística de operação da Petrobras em outras bacias, como a de Santos, por exemplo. Nessa bacia quarentona, a companhia opera com 53 plataformas, contribuindo com o desenvolvimento do nosso país. Estamos completando quatro décadas de produção da Bacia de Campos com a certeza de um futuro promissor para a companhia e para a região”, destacou Marcelo Batalha.

Sobre as expectativas da empresa para os próximos anos, o gerente geral falou em revitalizações de campos maduros, e explicou as desmobilizações da Petrobras, que foram planejadas desde a década de 70, quando a empresa começou a produzir.

Marcelo Batalha revelou que desde o início do processo, quando se começa a produção, já existe a expectativa de que a cada ano, os postos pedem 10% da capacidade de produção até que se torne economicamente inviável. Segundo ele, é perto dessa situação que se encontram os chamados campos maduros, que começaram a ser explorados na década de 70, quando o contrato de concessão da Petrobras foi assinado. Porém, o gerente geral da UO-BC contou que este contrato, que era até 2025 e já enfrentava a movimentação de desmobilização, foi renovado até 2052 depois de novas e recentes descobertas da Petrobras.

“Ainda há bastante reserva de óleo e gás na Bacia de Campos. A Petrobras obteve aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a prorrogação da vigência dos contratos de concessão dos campos de Marlim e Voador até 2052. Há expectativa de aumento no fator de recuperação de óleo do campo de Marlim, o que poderá gerar a produção de um volume adicional de cerca de 900 milhões de barris de óleo equivalentes até 2052, quando expira a concessão”, disse Marcelo Batalha.

Marcelo Batalha revelou ainda que a Petrobras possui 48 projetos de desenvolvimento da produção na Bacia de Campos, entre esse ano 2021, com investimentos que somam aproximadamente 10 bilhões de dólares, que serão investidos na construção de 80 novos poços produtores e 29 injetores, até 2021, e que resultarão em um incremento de produção de 450 mil barris de óleo por dia.

Segundo Batalha, essas medidas também são importantes para reduzir justamente aquela expectativa de 10% de perda na produção a cada ano. As medidas, investimentos e novas tecnologias, de acordo com ele, conseguiram reduzir, em campos da Bacia de Campos, essa redução de 10 para 6%, aumentando o tempo de vida econômica útil dos campos.

Laboratório de Rochas – Em seguida, o gerente setorial de Sedimentologia e Estratigrafia da Bacia de Campos, Marcelo Soares, explicou o trabalho de geologia da empresa, desmistificando a ideia de que há um lençol de petróleo no pré-sal.

“Na verdade, essa ideia é equivocada. O óleo que fica lá embaixo fica dentro das rochas. O nosso trabalho é extrair dessas rochas. Como tem óleo dentro da rocha? É simples. Elas são porosas, funcionam como esponjas. O que nós fazemos é coletar essas rochas, analisar a porosidade delas e a presença do óleo, e ainda sobre a capacidade de retirada desse óleo”, contou Marcelo Soares.

A visita dos profissionais da imprensa, foi a primeira nesses 40 anos da empresa na Bacia de Campos, e contou com momentos importantes, como a exposição das rochas da primeira descoberta de petróleo na região, no campo Garoupa 2, em 1974, quando a empresa já pensava em desistir da bacia.

“Mas foi na década de 80, em 1984 e 1985, que a Petrobras passou a ser gigante, com as descobertas de Marlim, Albacora e Roncador, que são poços gigantes em termos mundiais, porque apesar da Bacia de Campos não ser muito grande em área, ela é gigante em termos de produção”, analisou Marcelo Soares.

Foto: Igor Faria